Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 05/07/2020
No contexto de pandemia global devido ao novo coronavírus em 2020, em um cenário totalmente desestabilizado, os casos de violência doméstica se mostraram crescentes e exorbitantes. Segundo um levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o número de ocorrências de violência contra a mulher aumentou em seis estados (São Paulo, Acre, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Pará), em comparação ao mesmo período em 2019. Um contexto de isolamento social segundo as recomendações da OMS intensifica a convivência e também o humor dos homens agressores, que acabam abusando física e mentalmente de suas parceiras em decorrência de tensões psicológicas e econômicas e abuso no consumo de drogas lícitas e ilícitas durante a quarentena.
Primeiramente, é relevante ressaltar o quadro do estado emocional dos indivíduos ao redor do mundo durante uma quarentena. Um estudo feito pela revista britânica Lancet comprovou que características como medo, solidão, estresse pós-traumático, confusão, raiva e ansiedade são comuns diante às circunstâncias. Com os altos índices de desemprego, morte e doentes, além da frustração e incertezas vindas com o confinamento, potencializam-se os comportamentos violentos dos homens, que acabam descontando suas frustrações em suas parceiras.
Além disso, a pandemia do Covid-19 revelou muitos efeitos secundários em toda a sociedade além da crise sanitária. Segundo estudos nos EUA da “The Recovery Village”, uma rede de instalações de tratamento de dependência da Flórida, houve um aumento no uso de substâncias durante a pandemia, sendo que 55% dos entrevistados passaram a consumir mais bebidas alcoólicas, e 36% dos americanos relataram aumento do uso de maconha e opioides prescritos, entre outros. Tais substâncias alteram o sistema nervoso e seu funcionamento, culminando para um comportamento masculino hostil e o aumento dos casos de violência contra a mulher.
Diante desta situação, é necessário um grande levante das mídias sociais e internet para disseminar programas com símbolos e canais de suporte disfarçados para que os agressores não desconfiem. É essencial que empresas, marcas e até mesmo postos de saúde se mostrem dispostos a criar plataformas seguras e secretas de comunicação, acionando a Polícia Federal a intervir nos domicílios das vítimas. Assim, as mulheres se sentirão mais apoiadas e seguras e os casos de violência feminina diminuirão gradualmente no meio desse contexto tão delicado de confinamento social.