Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 05/07/2020
Na Gripe Espanhola de 1918, as recomendações visavam o isolamento social como medida preventiva para o avanço da doença. A mesma medida profilática é levada em conta, no atual momento, para o combate contra a pandemia do coronavírus. Com a população restringindo seus movimentos e permanecendo em casa, aumentou-se o número de casos de violência contra a mulher. Por estar mais exposta a agressão, através do convívio mais intenso com seu parceiro, a mulher se encontra em posição vulnerável, diante de um relacionamento abusivo, o qual é presente na sociedade brasileira, por conta de causas históricas e culturais.
No decorrer do tempo, foi-se construído, através de um pensamento patriarcal e machista, a ideia de que a figura feminina seria um ser frágil, passivo, incapaz de tomar suas próprias decisões, de sobrepor suas vontades e de que seria um objeto sexual para o prazer masculino. Atualmente, os meios de comunicação reforçam esse ideal. É possível observar esse feito em propagandas, novelas, filmes, séries e manchetes de jornais. Ademais, esses espaços da mídia costumam naturalizar a violência doméstica. Portanto, o tratamento da imprensa acerca do tema pode propiciar a construção de relacionamentos abusivos, os quais o homem não respeita a integridade física, moral, sexual e psicológica da mulher e justifica seus atos com base na desobediência feminina acerca do ideal construído.
Somando ao exposto, a falta de conhecimento acerca de como lidar com situações de raiva, decepção estresse e insegurança, por parte da figura masculina, pode desencadear em violência contra a mulher. No contexto da pandemia, essa situação deve ser vista com ar de importância, pois todo o caos causado pela atualidade, pode servir como justificativa para tal ato.
Tendo em vista os fatos discutidos, é dever de órgãos ligados ao tratamento jurídico de casos de violência doméstica, como o Instituto Maria da Penha ou a Delegacia da Mulher, oferecer atendimento online às vítimas, para que, assim, seja garantido seu direito à segurança, proposto pela Constituição de 1988. Ademais, em presídios, é necessário um trabalho de reeducação, garantido por lei como pena, feito por psicólogos e sociólogos especializados no assunto, com o intuito de desnaturalizar a violência doméstica e conscientizar os agressores acerca do respeito à integridade feminina, estimulando a inteligencia emocional dos envolvidos. Da mesma forma, é necessário que em faculdades de Cinema, Jornalismo e Publicidade e Propaganda, seja debatido o tema e ressaltado as consequências negativas de produções que reforcem a naturalização do problema e o esterótipo discutido anteriormente. Com tais medidas, a violência contra a mulher poderá, enfim, ser uma realidade utópica no Brasil.