Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 06/07/2020

A obra “O Grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, representa a figura espantada diante de algo que lhe parece oferecer insegurança. Apesar de metafórico, percebe-se que, no Brasil contemporâneo, a reação do personagem pode ser aplicado ao aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena, já que é assombroso que a sociedade não reconheça a seriedade de tal problemática. Diante disso, fatores como comportamentos machistas, além da situação econômica apresentada, propiciam a permanência desse cenário de iniquidade.

Vale destacar, a princípio, que o padrão de pensamento e comportamento vigente no Estado está intrinsecamente ligado à estruturas sociais machistas. Isso porque, de acordo com a obra “O Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir, o ser humano forma-se como homem ou mulher a partir do que lhe é imposto externamente. Dessa forma, cabe salientar que há a vigência do “isso é coisa de mulher” e do “isso é coisa de homem”. Sendo assim, essa visão favorece o aumento dos casos de violência doméstica justamente por incitar o indivíduo a agir de determinada maneira e repudiar algo diferente do modelo vigente. A exemplo disso, pode-se citar o descontentamento, tanto de maridos, quanto de filhos, em auxiliar em atividades domésticas. Vê-se, assim, o quão necessário torna-se a busca por modificações na maneira coletiva de ver o mundo.

Além disso, convêm destacar a situação econômica apresentada como auxiliadora na problemática existente. Isso porque, nesse período de enfrentamento à pandemia de Covid-19, muitos indivíduos vieram a entrar no crescente grupo de desempregados do Estado. Nessa perspectiva, para muitos núcleos familiares a movimentação de dinheiro tornou-se insuficiente. Determinada condição instiga as discussões, as quais, muitas vezes, além da violência verbal, geram a violência doméstica.

O aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena mostra-se como uma preocupante problemática. Para alternar esse cenários medidas devem ser tomadas. Portanto, o Governo Federal, em parceria com os meios midiáticos, deve promover campanhas que auxiliem os indivíduos a identificarem comportamentos agressivos no seu meio familiar e, se necessário, possam sentir-se encorajados a buscarem ajuda junto aos órgãos de defesa. Ademais, ao cidadão, cabe o papel de buscar solucionar entraves familiares por meio de conversas atenuas, visando sempre o bem-estar coletivo e levando em consideração que qualquer situação, com o auxilio do tempo, será vencida. À vista disso, a figura representada pelo pintor norueguês poderá apresentar uma expressão mais tranquila.