Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 06/07/2020

Na obra “Utopia”, do escritor britânico Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita padronizada pela ausência de conflitos. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que há um aumento de casos de violência doméstica durante a quarentena, dificultando a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da intensificação da convivência durante o período de isolamento, quanto da dificuldade em delatar a ação.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a agressão no ambiente doméstico, pode ser ora familiar, ora trabalhista e deriva da baixa atuação governamental para coibir tal existência. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de mecanismos estatais restritores dessa problemática e com o aumento da intensidade das relações afetivas, aumenta o número e a recorrência agressiva nesse âmbito. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal.

Outrossim, é imperativo ressaltar que o crescimento do abuso no setor caseiro advém, também, da limitação de recursos para denunciar a ação devido as pessoas estarem isoladas socialmente. Isso porque, mediante a quarentena ocasionada pela pandemia do covid-19, o indivíduo é exposto a situação de agressividade familiar sem ter como se defender e pedir ajuda. Essa dificuldade provém da inabilidade do Estado em promover uma atitude que visa reduzir esse panorama, dificultando a sua resolução.

Em suma, compete ao Sistema Único de Segurança Pública, que tem por função social integrar todas as instituições responsáveis por assegurar o cidadão e garantir o seu funcionamento, elaborar um programa de denúncia para violência doméstica online efetivo. Essa ação deverá ser feita por meio da criação de um site do governo com essa função, além disso deve haver uma orientação de como deverá a vítima agir até que as medidas punitivas do agressor sejam efetivadas. Espera-se com isso, que a coletividade assemelhe-se cada vez mais à “Utopia” de More.