Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 08/07/2020
No livro Todos os Homens São Mortais, a filósofa e teórica francesa Simone de Beauvoir afirma: “No dia que for possível à mulher amar-se em sua força e não em sua fraqueza; não para fugir de si mesma, mas para se encontrar; não para se renunciar, mas para se afirmar, nesse dia então o amor tornar-se-á para ela, como para o homem, fonte de vida e não perigo mortal.´´, dando continuidade a este pensamento, torna-se perceptível que a sociedade machista não mudou desde a idade média em que filósofos ressaltavam a superioridade masculina.
Nesse âmbito, pode-se analisar que essa problemática persiste por ter raízes históricas e ideológicas. Diante da situação oriunda enfrentada atualmente pela população em virtude da pandemia, crises em vários setores da sociedade causaram conflitos que evidenciaram na quarentena o aumento da violência contra mulher. Mesmo com a promulgação da lei Maria da Penha de 7 de agosto de 2006, artigo n° 11340/2006, faz-se evidente que o isolamento e o desemprego gerado na sociedade mostram a realidade do abuso que as mulheres enfrentam constantemente por seus parceiros, que podem estar sendo afetados por efeitos colaterais do uso de álcool e narcóticos.
Neste viés, a violência moral, psicológica, verbal, patrimonial, física e sexual durante a quarentena, evidencia que tal mazela precisa de medidas socioeducativas junto aos órgãos competentes afim de evitar que este imbróglio se transforme em um caos sem precedentes, como tirando vidas, silenciando mulheres que deixam de prestar queixas nos disque denúncias, no aplicativo Proteja Brasil, ou através de boletins de ocorrência.
Faz-se mister que as autoridades em consonância com Governo, o Poder Legislativo, o Estado e o Ministério da Educação tomem medidas cabíveis afim de suprir todas as falhas que compõe as leis que regem estes princípios que estão sendo violados, fiscalizando e enfatizando a mídia, ONGs e jornais à mostrarem constantemente os dados de forma a coibir os agressores a tomar consciência dos danos por eles causados.
Portanto, a sociedade deve estimular e incentivar a denúncia dessas atrocidades, salvando vidas e transformando o mundo em um lugar igualitário para ambos gêneros, é essencial sejam implantadas mais delegacias da mulher com funcionamento 24 horas para combater as injustiças machistas e a execrável prática do feminicídio.