Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 07/07/2020
Edvard Munch, pintor expressionista do século XIX, é autor do quadro “O grito”, o qual evidencia um cenário de conflito psicológico. Essa obra-prima, que apresenta uma sensação de angústia e desespero, pode representar uma atitude do homem atual ante um registro contemporâneo ; o debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena. Entre os fatores que articulam à essa problemática, pode-se mencionar o consumo excessivo de bebida alcoólica e o estresse causado pelo confinamento .
A princípio, é lícito postular que o consumo excessivo de álcool pelos indivíduos em quarentena está intrinsecamente ligado aos casos de violência doméstica. À luz dessa análise , pesquisas realizadas pela OMS apontam que o álcool é um fomentador de situações violentas , sejam elas sexuais ou domésticas. Nesse viés , o período de pandemia tem intensificado a quantidade de pessoas alcoolizadas , as quais estão violentando suas parceiras , de forma sexual ou moral e na maior parte das ocasiões há a prevalência de impunidade . Nesse contexto, tal fato relata a ineficiência da lei no artigo 226 da Constituição Cidadã , ao coibir a violência doméstica. Desse modo , nota-se o elevado índice de retrocesso na atual conjuntura .
Ademais , é notório ratificar que o isolamento social incita o estresse , ansiedade e outras anormalidades mentais , as quais estão objetivamente ligadas a violência doméstica. Sob esse prisma , o escritor estadunidense Benjamin Moser estava correto ao afirmar que os brasileiros adotam contra si mesmos uma postura negligenciadora , colonizadora e destrutiva , o que sugere alterações no “status quo”. Nesse ínterim , as domésticas estão sendo vítimas desse ato “autoimperialista” , a exemplo da taxa de denúncias que cresceram 21,27% em abril de 2020 , segundo o G1. Juntamente a esse dado , apesar dos boletins de ocorrência ,as ações tendem a se repetir , o que evidencia a ausência de efetividade do Poder Executivo. Dessa forma , a sociedade domada pela “asfixia social”.
Logo , em virtude dos fatos mencionados , urge a mudança quanto ao aumento de casos de violência doméstica na quarentena. Faz-se necessária a participação de Ongs , as quais irão trabalhar a favor das domésticas , como instituir grupos de apoio e denúncia aos riscos à integridade física e moral da mulher. Com o intuito de acolher as vítimas de violência doméstica e inibir os demais casos . Além disso , é fundamental a participação do Estado na figura do Poder Executivo, assegurar e executar adequadamente os direitos e tornar crime inafiançável toda violência à mulher , com o intuito de punir e efetivar o respeito . Juntamente , o Ministério da Saúde deve oferecer projetos que auxiliem as pessoas alcoolizadas e estressadas. Doravante , poder-se-à mitigar a problemática .