Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 08/07/2020

A pandemia do coronavírus fez com que todos se isolassem em casa para evitar o alastramento da doença, porém ao forçar-se o convívio familiar constante o número de casos de violência doméstica cresceu drasticamente, números estes que já eram altíssimos, apesar das diversas leis contra abusos deste tipo presentes na Constituição. Todavia, existem poucos meios que auxiliam as mulheres vitimadas a recorrer à denúncia, consequentemente, gerando maior impunidade aos agressores, podendo-se averiguar um aumento nos casos violentos, afinal por mais que existam leis sólidas que combatem a questão, a escassez de auxílio contribui para a perpetuação da violência doméstica.

Indubitavelmente, a quarentena precarizou ainda mais o auxílio às vítimas de agressão, pois agora elas estão confinadas dentro de casa sendo limitadas do acesso a seus antigos refúgios - devido ao medo do contágio ou pela restrição de seus companheiros - como, por exemplo, as delegacias da mulher e os centros de saúde. Por conseguinte, poucos alegam os crimes cometidos, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, normalmente, 52% das mulheres abusadas nunca denunciam os agressores, mas em meio a pandemia o número de denúncias caiu desde 49% a 8% dependendo do Estado. Deixando-se claro a importância de um apoio direto para as vítimas, pois sem o amparo das instituições brasileiras o ciclo de abusos se permanecerá, vitimando milhares de inocentes.

Outro fator, agravante da questão é que as próprias pessoas não ajudam umas às outras, afinal se baseiam no provérbio popular “Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”, ditado este pautado,completamente, em um tabu da sociedade que deve ser desconstruído, pois, prega que ninguém deve ajudar a mulher vitimada não importando o nível de abuso que ela esteja sofrendo em seu relacionamento. Inquestionavelmente, se a vítima não receber amparo nem ,das instituições, nem da sua comunidade, sua vida e saúde correrão um grande risco, principalmente, nos dias atuais quando o confinamento obriga o convívio constante do agressor e de sua vítima.

Em suma, para solucionar esse grave problema que assola a sociedade brasileira torna-se necessário que o Ministério da Comunicação em parceria com o Ministério da Mulher adotem medidas e façam campanhas para instruir as vítimas a denunciarem os abusos ao qual foram submetidas e, ao mesmo tempo, oferecer auxílio psicológico para os vitimados, assim garantindo maior penalização dos malfeitores. Ademais, é preciso que os Ministérios citados anteriormente conscientizem a população a ajudar as pessoas que estão passando por essas situações. Desta maneira, seria possível alcançar uma sociedade mais justa e igualitária em que o número de casos de agressão seja diminuído, consequentemente, proporcionando uma vida melhor a todos.