Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 08/07/2020

A violência doméstica ainda é uma realidade em muitos núcleos brasileiros, sendo 1.3 milhão o número de mulheres agredidas a cada ano, segundo dados do suplemento de vitimização da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) referente a 2009. Entretanto, devido ao isolamento social consequente da pandemia da covid-19, os índices de violência doméstica mostraram um aumento significativo de 44,9% apenas no Estado de São Paulo. Tal ocorrência é de grande preocupação e deve ser resolvida com urgência.

Em primeiro lugar, a violência doméstica é um tema notadamente relevante em tempos de pandemia, porque a conjuntura socioeconômica atual tende a exacerbá-la. A perda de empregos decorrente da crise afeta especialmente mulheres, já que no Brasil, mulheres são mais sujeitas à informalidade do que homens, e este é o setor mais afetado pela crise. Acerca disso, a dependência econômica mostra-se como um fator responsável pelo aumento de conflitos entre mulheres e seus companheiros.

Em segundo lugar, a quarentena imposta como medida preventiva da covid-19, intensifica a convivência entre os familiares, dessa forma, podendo potencializar a incidência de tensões entre os familiares. Ademais, índices que apontam o consumo excessivo de álcool durante a pandemia, somado ao contexto de apreensão e incertezas consequentes da pandemia, colaboram para as discussões entre casais.

Por fim, devido ao isolamento social, muitas mulheres não possuem os meios necessários para realizar uma denúncia, o que além de atrasar as medidas que poderiam ser tomadas para a resolução do conflito, também gera um número alto de subnotificações.

Diante disso, é possível perceber os diversos fatores que impulsionam a violência doméstica e a dificuldade que muitas mulheres enfrentam ao tentar resolver o conflito. Portanto, é necessário que ONGs relacionadas ao tema desenvolvam aplicativos para celulares que registrem essas denúncias, assim, permitindo que as medidas necessárias para o problema sejam tomadas. A ideia é facilitar o acesso a ajuda através do telefone móvel, e somado a colaboração da Delegacia da Mulher, será possível garantir segurança às mulheres brasileiras que enfrentam esse cenário inadmissível.