Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 13/07/2020

A violência doméstica é qualquer tipo de agressão ocorrida entre pessoas que dividem o mesmo espaço familiar. O artigo 144 da Constituição Brasileira afirma que o Estado tem o dever de garantir a segurança pública. Porém, o número crescente dos casos dessa violência durante a quarentena mostra que a segurança não tem sido eficaz, principalmente para mulheres, crianças e idosos. Esse aumento das agressões domésticas no isolamento social ocorre porque as vítimas são obrigadas a passar mais tempo com o agressor, além de que o consumo de álcool cresceu significativamente, segundo a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas.

Em primeiro lugar, vale destacar que durante o isolamento social os alvos da violência permanecem mais tempo próximos ao agressor. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, houve um aumento de mais de 50% do número de denúncias de violência doméstica desde que a quarentena começou, em março. Esse fato confirma que conviver mais que o habitual com o agressor gera uma frequência maior nos atos nocivos de violência. Ou seja, com a restrição social as vítimas não podem sair de casa facilmente e estão mais expostas às agressões.

Além disso, o consumo excessivo de álcool na quarentena corrobora para o crescimento dos casos, uma vez que o agressor torna-se mais violento e impaciente. Tal situação é retratada na série brasileira da Netflix, “Coisa Mais Linda”, na qual uma das personagens é agredida pelo marido, que muitas vezes encontra-se alcoolizado. Um cenário presente no contexto da quarentena, em que a ingestão de bebidas ampliou. Dessa forma, fica nítido que o alcoolismo é  um fator agravante e que torna a violência doméstica recorrente.

Portanto, o consumo demasiado de álcool e a permanência nas residências são alguns fatores que levam ao aumento da violência doméstica na quarentena. Logo, para solucionar tal problemática é fundamental que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos amplie o número de campanhas que facilitem denúncias rápidas e seguras, por meio das redes sociais, aplicativos e estabelecimentos que permanecem abertos, como a campanha do Sinal Vermelho adotada por redes de farmácias. Para que a segurança das vítimas seja garantida e que esse tipo de violência seja reduzido. Só assim será possível continuar em isolamento com segurança e tranquilidade.