Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 10/07/2020
Na série ‘‘Coisa mais Linda’’, produzida pela netflix, Lígia, uma das melhores amigas de Maria Luisa, personagem principal, sofre agressões domésticas de seu marido, sendo na maioria das vezes responsabilizada pelas agressões sofridas. Assim como na ficção, podemos perceber que vivemos em uma sociedade muito machista e patriarcal que culpabiliza a mulher pela agressão, pelo fim de uma relação, especialmente se envolver filhos, desestimulando essa mulher a denunciar. O Brasil é um dos países mais violentos do mundo, e com o novo cenário de isolamento social, para quem pode ficar em casa, entrou em vigor, não apenas grandes números de novos casos de Covid-19 no país, como também, mais casos e denuncias de violência doméstica.
A violência doméstica consiste no comportamento violento que parte de uma pessoa contra a outra dentro de casa. Além de acontecer entre casais, pode também ser praticado contra crianças, idosos ou pessoas com necessidades especiais. Essas pessoas não só sofrem de violência física, como também podem sofrer, violência sexual, moral, patrimonial e psicológica. Um dos grandes fatores que favorecem a violência física, como os espancamentos, é a personalidade desestruturada para um convívio familiar do agressor, que não sabe lidar com pequenas frustrações que essas relações causam no decorrer do cotidiano. O perfil do agressor é caracterizado por autoritarismo, falta de paciência, irritabilidade, grosserias e xingamentos constantes, ou acompanhados de alcoolismo e uso de outras drogas.
Com as medidas de isolamento social para quem pode ficar em casa, governos em todo o mundo relatam aumento nas denúncias de violência doméstica. Segundo a ONU Mulheres, é uma das preocupações durante a quarentena, já que não somente as mulheres estão afastadas de suas redes de apoio (familiares e amigos), aumentando a convivência com seus agressores. A convivência intensa, a tensão do momento e o próprio isolamento social, longe de parentes e amigos, contribui para que o número de casos de violência doméstica aumentem ou piorem. Mas os casos que sabemos são apenas os notificados, portanto, os dados estão bem abaixo da realidade.
A velha história de que “em briga de homem e mulher ninguém mete a colher” deve ser deixada de lado. Amigos e familiares podem intervir e denunciar os casos. Lojas e farmácias brasileiras estão adotando sinais de agressões, e em seus sites de compras uma área de denúncia, onde as vítimas podem desabafar e denunciar seus agressores de uma maneira discreta. O governo municipal deve investigar e levar a sério cada caso, fazendo de tudo para dar assistência médica, financeira e psicológica as vítimas que não tem condições, e cumprindo as devidas punições dadas aos agressores.