Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 10/07/2020
A herança do patriarcalismo secular ainda é visível no Brasil do século XXI. Isso se deve, em boa parte, à dificuldade histórica que o Estado brasileiro tem para zelar pelo bem-estar da mulher, devido ao pouco alcance aos focos de violência domiciliar. Por isso, é notável que o acréscimo no número de casos de agressão com mulheres nesse período de pandemia se deve, além do isolamento social, aos poucos recursos que o poder público dispõe para o controle da violência doméstica.
A priori, destaca-se um levantamento do Datafolha de 2017, o qual mostra que 500 mulheres sofrem agressão por hora no Brasil, sendo mais de 40% dos casos em casa. Isso posto, é entendível como o isolamento social pode agravar esses números. Ademais, soma-se o fato de que a maior parte dos meios de denúncia são físicos, dependendo da iniciativa da vítima de sair de sua casa e procurar ajuda.
Segundo Zygmunt Bauman, no documentário Fronteiras do Pensamento, vivemos em tempos líquidos. São em tempos assim que as tecnologias são essenciais para a promoção de transformações sociais. Assim, com o país passando por uma pandemia, as redes sociais são imprescindíveis para a coleta de dados da população. Então, denota-se que o governo brasileiro deve se valer do crescente acesso à internet nesse isolamento social para o combate à violência doméstica.
Portanto, é mister que o Ministério da Mulher, Família e Direitos humanos e a Câmara dos Deputados assinem projetos de leis para que o próximo censo demográfico conte com uma plataforma digital que possa ser assinada por todo cidadão acima de 16 anos com acesso à internet, devendo haver uma aba em destaque para denúncia de violência doméstica, cujos dados só possam ser coletados pela União. Com isso, utilizando o meio virtual, o Estado brasileiro poderá tem maior alcance às famílias em isolamento social e facilitar o acesso das inúmeras vítimas de agressões à devida proteção, criando um país mais justo e digno para centenas de milhares de mulheres em todo o Brasil.