Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 10/07/2020

O mundo está a passar por um período histórico, a pandemia do coronavírus, a qual já causou mais de quinhentas mil mortes. Devido a isso, a maioria dos países adotaram a quarentena como uma medida preventiva visando a diminuição de casos no mundo até o possível controle do vírus. Porém, já que a maioria das pessoas estão em casa seguindo o isolamento social, houve um aumento da tensão dentro dos lares, resultando muitas vezes no aumento da violência doméstica e sexual e até feminicídio. E isso se dá pela intensa convivência e a tensão do momento, o que contribui para que o número de casos de violência doméstica aumente.

Em sua primeira missa do ano, na Basílica de São Pedro, o Papa Francisco chama a atenção para a violência contra as mulheres “As mulheres são uma fonte de vida. No entanto, são continuamente ofendidas, espancadas, violadas, induzidas a se prostituir e eliminar a vida que levam no útero”. É muito triste ver que problema relatado pelo Papa só aumente, e em um país cuja religião oficial é o catolicismo. No início do mês abril, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, anunciou um aumento de 9% no número de chamadas ao Ligue 180, que recebe denúncias de violência contra a mulher, no mês de março. Em São Paulo, o número de casos de violência contra a mulher aumentou 30% durante a quarentena, de acordo com o Núcleo de Gênero e o Centro de Apoio Operacional Criminal do Ministério Público de São Paulo. A situação do Rio de Janeiro é ainda mais alarmante, com um aumento de 50% nos casos de violência no mês passado, segundo a Justiça do Rio.

Muitas mulheres têm dificuldade inclusive de reconhecer que estão em uma relação de violência, já que existem cinco tipos de violência doméstica sendo elas física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Por isso é tão importante a informação e saber que há uma rede de serviços para essas mulheres. Um exemplo de serviço gratuito seria o Ligue 180, A Central de Atendimento à Mulher, que tem por um dos objetivos receber e tratar denúncias de violência sob o amparo da Lei Maria da Penha, que busca estipular punição adequada e coibir atos de violência doméstica contra a mulher.

Fica evidente que a convivência intensa e a tensão do momento durante o isolamento social, contribuem significativamente para o aumento dos números de casos de violência doméstica. Por isso, cabe aos veículos de comunicação difundirem vigorosamente as campanhas governamentais para a denúncia de agressão domésticas. Ademais, é preciso que o Poder Legislativo crie medidas para aumentar o a punição dos agressores, para que seja possível diminuir a quantidade de casos independente da quarentena. Assim, podemos sonhar com uma nação livre da violência contra a mulher.