Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 10/07/2020

A pandemia de coronavírus traz uma preocupação a mais para as mulheres: a violência doméstica e familiar. Na China, primeiro país a registra caso da Covid-19, ativistas de direitos humanos afirmam que a denúncia de agressão às mulheres no ambiente doméstico aumentou em três vezes durante o período de quarentena e isolamento social.  A tendência é de que o mesmo ocorra no Brasil, onde uma mulher é agredida a cada dois minutos segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A violência doméstica é um tema notadamente relevante em tempos de pandemia, em primeiro lugar, porque a conjuntura socioeconômica atual tende a exacerbá-la. A perda de empregos decorrente da crise afeta especialmente mulheres, que se concentram no setor de serviços, o mais afetado pela crise. No Brasil, mulheres são mais sujeitas à informalidade do que homens. Mais de 90% dos trabalhadores domésticos, mais vulneráveis economicamente na crise, são mulheres, e mais de 70% são negros indicando a maior precariedade do emprego da mulher negra.

A sobrecarga de trabalho doméstico e de funções de cuidado também pode atrapalhar o desempenho de mulheres que conseguiram adotar modalidades remotas de trabalho. Por esse motivo, a conjuntura resultante da pandemia provavelmente penalizará de forma desproporcional muitas trabalhadoras, que podem ser mais mal avaliadas e mesmo demitidas. Estudos indicam que, em outras crises econômicas, como a ocorrida em 2010 no Brasil, mulheres foram mais demitidas do que homens.

Sendo assim, é importante que mulheres em situação de violência busquem fazer o isolamento social com outros familiares, e evitem ficar sozinhas com o agressor. Especialmente nesse período de isolamento social, os vizinhos, amigos e familiares têm que se conscientizar que em briga de marido e mulher é preciso, sim, meter a colher. Muitas vezes, eles são os que têm melhores condições de realizar denúncias de violência, já que não estão diretamente expostos aos agressores. É preciso ter muita atenção às situações suspeitas, como gritos, choros, discussões em voz alta e ameaças. As denúncias anônimas podem evitar situações mais graves e até a morte.