Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 11/07/2020
Na série brasileira, “Coisa mais linda”, a personagem Lígia sofre agressões físicas e verbais constantes por parte do marido em seu próprio lar, os ataques resultam na morte de Lígia e na impunidade do companheiro. Similarmente, no Brasil, mulheres são agredidas diariamente por parceiros dentro de suas casas, casos que aumentaram durante a quarentena, no qual vítimas ficam 24 horas juntas de seus agressores. Com o crescimento de ocorrências, é necessário que medidas urgentes sejam tomadas para a proteção dessas mulheres.
Primeiramente, segundo a filósofa feminista Simone de Beauvouir “Ninguém é mais arrogante em relação às mulheres, mais agressivo ou desdenhoso do que o homem que duvida de sua virilidade”. A educação patriarcal e sexista vigente no Brasil faz com que, meninos cresçam agressivos e queiram se mostrar superiores, em grande modo, atacando mulheres, tais quais julgam ser inferiores, como visto na produção brasileira. A sociedade, ao ensinar homens que violência e agressividade são de naturalidade masculina, e às mulheres que devem sofrer em silêncio, auxiliam no aumento gradativo de casos de violência doméstica.
Ademais, vale ressaltar que com a quarentena necessária por conta de uma pandemia, dados de atendimentos em delegacias paulistas por violência doméstica e feminicídio aumentaram, respectivamente, 44%, e 46,2%. Para facilitar o atendimento à mulher em tal condição, medidas foram criadas para ajudar vítimas, como a da empresa Magazine Luiza ao colocar em seu aplicativo opção para denúncias, outrossim, sinais com as mãos para alertarem agressões por meio de videoconferências e em farmácias
Em suma, é inaceitável que o Brasil, signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que aborda a igualdade em dignidade e direitos, permita a alta no número de casos de violência doméstica. A sociedade junto às cortes de justiça devem reformular o modo educaçional e medidas penais, para assegurar a proteção de mulheres no presente e no futuro, fazendo com que casos não acabem como o visto em Coisa Mais linda.