Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 13/07/2020
A Lei Maria da Penha foi criada em 2006 com o intuito de prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Segundo a lei, toda mulher, independentemente de classe, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional e idade, desfruta dos direitos fundamentais relativos à pessoa humana, sendo-lhe garantidas as oportunidades para viver sem violência. Porém essa nem sempre é uma realidade brasileira, uma vez que muitas mulheres sofrem brutalidades dentro de casa todos os dias, principalmente em períodos de quarentena, visto que em meio ao isolamento social isso ocorre com mais frequência.
De acordo com o jornal O Globo, houve um aumento de 50% de agressões domésticas durante a pandemia de Covid-19 só no estado do Rio de Janeiro. Uma das causas para esse problema é a convivência constante ao longo do isolamento longe dos amigos e da família, o que torna mais difícil a possibilidade da vítima denunciar o agressor. A falta de atenção do governo também contribui para o aumento, uma vez que é de suma importância que as autoridades assegurem proteção às vítimas que, em tempos de confinamento, passam 24 horas com os agressores, muitas vezes sem condições de se defenderem sozinhas.
Além do distanciamento social, outra dificuldade para as vítimas denunciarem as agressões é o reconhecimento de que elas estão em uma relação violenta com seus parceiros. Isso se dá pela herança patriarcal e machista existente na sociedade brasileira que tende a culpar a mulher pela agressão ou pelo fim do relacionamento, desencorajando assim a procura por ajuda para denunciar. As ansiedades e tensões sofridas durante o isolamento podem ser compartilhadas entre os indivíduos, o que também contribui para que esses casos piorem.
Dessa forma, percebe-se a necessidade de analisar com mais atenção o número de casos de agressão doméstica durante períodos de quarentena. Para isso, o poder público deve promover reformas nos meios de comunicações já existentes, como o Disque 180 e o CEAM (Centros Especializados de Atendimento À Mulher), a fim de tornar esses projetos mais abrangentes para todas as pessoas. Tal ação pode ocorrer por meio de campanhas pela mídia e redes sociais que visem dar mais visibilidade para essas organizações e as tornar totalmente acessíveis.