Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 12/07/2020
A quarentena para contenção do Covid-19, sem dúvidas, restringiu a circulação de pessoas pelo globo terrestre e estreitou as relações familiares, de modo a aumentar o tempo de convívio entre cônjuges. Todavia, é visto que ao contrário do crescimento de afetos, a reclusão aumentou os números de violência contra o gênero feminino. Nesse sentido, é inadmissível em pleno século XXI com tantas reivindicações e lutas femininas por direitos e igualdades ainda haver ataques à mulher. Logo, é lícito a discussão de dois obstáculos: a misoginia e a ausência de medidas mais seguras para a mulher recorrer enquanto invoca a lei.
Em primeiro plano, é pertinente pontuar que a Lei Maria da Penha visa proteger a mulher de violência. Contudo, dados da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) afirmam que todos os dias, treze mulheres são assassinadas no Brasil. De acordo com Jean-Paul Sartre, a violência é sempre uma derrota. Nessa sequência, é válido a confirmação da existência de um Brasil vencido pela opressão ao permanecer estático diante a constantes ataques à Constituição Federal. Portanto, medidas são necessárias para a prevenção do atentado contra o sexo feminino, de modo a salvar vidas.
Em segundo plano, de acordo com a revista Veja, o trabalho educativo com crianças e adolescentes sobre sexualidade e gênero, desenvolvido nas escolas, pode diminuir a ocorrência de violências domésticas futuras. Nesse sentido, a educação sobre o assunto desde o início letivo promove crianças bem instruídas e menos agressivas. Por esse ângulo, de acordo com Paulo Freire, a leitura do mundo precede a leitura da palavra, nesse sentido, estudantes precisam conhecer mais sobre as lutas históricas e resiliência que a mulher precisou ter para alcançar todos seus direitos. Logo, a necessidade de educação nas escolas sobre o respeito à mulher é indispensável.
Para resolução de tais problemáticas, faz-se necessário que o Ministério da Educação (MEC), por meio de projetos nas escolas, forneça campanhas que conscientizem pais e alunos sobre a importância do respeito para com a mulher, de forma a educar as futuras gerações sobre o valor de atitudes cuidadosas e valorização no que tange àqueles que se identifiquem com o sexo feminino. Isso possibilitará o desenvolvimento de discentes moldados no respeito e na conscientização. Além disso, o Estado, por meio de investimentos, deve aumentar o números de casas de apoio, onde as vítimas possam permanecer até a segurança pública garantir que o agressor não poderá mais provocar riscos. Por meio disso haverá menor chance do criminoso tentar retaliação e maior conforto da mulher em expor sua situação, pois terá uma moradia segura.