Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 15/07/2020
Desde o período colonial, a sociedade brasileira é marcada pelo patriarcalismo oriundo da Europa, fato que contribuiu para tornar as mulheres as principais vítimas da violência doméstica. Assim, diante da quarentena causada pelo coronavírus, o debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica evidencia resquícios dessa cultura. Nesse sentido, a sobrecarga dos serviços de saúde e a falta de independência financeira das mulheres corrobora com a necessidade desse debate.
Primeiramente, nota-se que com o foco no tratamento do novo vírus, o sistema de saúde negligencia funções que favorecem o combate à violência doméstica. Segundo o “G1”, devido a menor disponibilidade das instituições de saúde, principal canal de detecção de casos de violência doméstica, ocorre aumento das subnotificações do crime. Assim, a sobrecarga da rede de saúde facilita a execução do crime, pois dificulta os meios de detectá-lo, fato que propicia o aumento de casos.
Ademais, a dependência financeira das mulheres as torna vulneráveis ao abuso em seu convívio familiar. Conforme o “Jornal Nacional”, a maioria absoluta das vítimas agressão no ambiente doméstico são mulheres, das quais 25% afirmam se submeter ao agressor devido à dependência financeira. Tendo isso em vista, a carência financeira é um dos fatores que fazem com que mulheres percam a autonomia de denunciar o abuso sofrido. Desse modo, a emancipação econômica das mulheres é essencial para diminuir os índices de agressão em ambiente familiar.
Portanto, é mister que o Estado, junto ao Ministério da Saúde invista na detecção de casos de violência doméstica, a fim de reduzir sua ocorrência. Para isso, ele pode implantar postos de saúde exclusivos para mulheres, que orientem pacientes com sinais de agressão a realizar à denúncia. Além disso, deve ser proposto à eles auxílio financeiro imediato e um curso de qualificação profissional ao final da quarentena. Assim, poderão obter autonomia financeira e distanciar-se do agressor. Dessa forma, serão combatidos os resquícios dessa cultura de opressão que incita à violência.
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