Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 14/07/2020

De acordo com a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), a violência doméstica e familiar é qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial, ou seja, a violência pode ser praticada de forma física, sexual ou psicológica. Portanto, esse problema tem ganhado força com o início do período de isolamento social, esse aumento pode ser justificado por conta da maior convivência entre os familiares ou até mesmo a tensão do momento, devido às elevadas taxas de desemprego e outros fatores.

Sendo assim, é possível destacar como uma das principais causas para o aumento das ocorrências a maior convivência entre a vítima e o agressor. A Polícia Militar registrou, no período de 5 meses desde o início da quarentena, um aumento de 44,9% no atendimento a mulheres vítimas de violência, o total de socorros prestados passou de 6.775 para 9.817. Logo, pode-se considerar que o maior tempo de contato é um dos maiores fatores responsáveis por esse aumento, pois a vítima não tem para onde ir ou se “esconder”, por conta do confinamento social.

Entretanto, outro grande fator que contribui para esse aumento é o estresse, que pode ser gerado de diversas maneiras, como a rotina repetitiva, ou até mesmo pelo fato de ficar preso em casa. O desemprego também é uma grande causa para esse estresse. Segundo uma pesquisa do IBGE, a alta da taxa de desemprego no período de quarentena foi de 10,5%. Isso faz com que o nível de tensão dentro do lar se eleve, o que aumenta ainda mais o índice de violência doméstica.

Portanto, pode-se afirmar que muitas pessoas, principalmente mulheres e crianças são vítimas de abuso dentro de seus lares, e por mais frequente que esses casos aconteçam, muitos ainda passam despercebidos, por isso, é recomendável que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em união com o Ministério da Educação, organize campanhas beneficentes que divulguem a importância das denúncias, por meio de propagandas, anúncios e comerciais, com a finalidade de conscientizar e alertar jovens e adultos, para que, assim, esses casos não passem despercebidos e os agressores sejam julgados.