Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 14/07/2020
Durante o isolamento social em função da pandemia de COVID-19, muito se tem discutido a respeito de diversos temas. Nesse contexto de reflexão a cerca das relações sociais, foi fomentado o debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena. Afinal, de que forma o confinamento intensifica a violência doméstica? Quais as raízes desse problema? E como ele pode ser evitado?
Primeiramente, é sabido que situações abusivas em casais não se dão de maneira espontânea, mas advém de um processo. Esse fato é explicado pela podcaster Juliana Wallauer, que em sua palestra para o “TEDx talks”, aponta o isolamento motivado por ciúme como sendo um primeiro estágio do “modus operandi” da violência doméstica; a partir do qual a mulher, já privada de liberdade, é submetida a agressões psicológicas que a fragilizam o suficiente para que o agressor possa partir para o espancamento. Dessa forma, é entendido que tal dinâmica é fruto de um abuso de poder por parte do homem, que acredita estar cumprindo seu papel social.
Sob esse viés, é fato que, em uma sociedade patriarcal - tal como a que ainda se vive no Brasil de 2020 - os papeis de gênero atribuídos, escalam a mulher para praticar a submissão. Enquanto é relacionado ao homem, a dominação. Prova disso é o estudo feito pelo Ph.D. em história Peter N. Stearns, que explicita em seu livro “História das relações de gênero”, a conivência social e legitimidade atribuída às palavras e gestos, ainda que violentos, de um homem. O que aponta para a questão da violência doméstica e até mesmo do feminicídio ser originada na falta de reflexão sobre como a sociedade encaminha os rapazes para performar sua masculinidade,
Portanto, é notória a urgência de intervenção nesse sistema de relações. Cabe ao Ministério da Educação, enquanto responsável pelo cumprimento da política nacional de educação, implementar nas escolas, por meio de verbas públicas, a presença de psicólogos para sensibilizar a parcela masculina em desenvolvimento a respeito do tema; e trabalhar a sororidade com as meninas, para que desde jovens aprendam seus direitos, como se ajudar e como identificar e denunciar um caso de violência doméstica. Dessa forma, poder-se-á contribuir para que esse debate e sua importância se tornem cada vez mais visíveis.