Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 15/07/2020

Não é de hoje a violência doméstica contra as mulheres, o sentimento de posse do homem sobre a mulher e a naturalização da violência cotidiana, vem de uma sociedade patriarcal, androcêntrica e misógina. Ter como la um ambiente seguro deveria ser um direito básico garantido às mulheres, mas na prática ainda é um privilégio de classe e de gênero. O estresse econômico, o medo sobre o Covid-19 e a coexistência forçada, são alguns dos indicadores que levaram o aumento da violência dentro de casa.

Como os homens estão ficando mais tempos em suas casas fazendo “home office”, devido a quarentena, as mulheres acabam sendo vigiadas e, muitas vezes, proibidas de conversar com amigos e familiares, o que aumenta a manipulação psicológica sobre as mulheres. Dos 3.739 homicídios de mulheres em 2019 no Brasil, 35% são de feminicídios, de acordo com a MMFDH. Já que as tarefas domésticas, dever desvalorizado, são responsabilidade das mulheres, sendo assim, uma divisão desigual, comprova ainda mais que o lar é mais uma esfera do poder masculino ser exercido. Uma a cada três mulheres sofreram violência sexual ou física por um parceiro íntimo e mais te um terço dos casos de feminicídios foram feitos por algum parceiro íntimo, ou seja, uma pessoa que possivelmente convive ou conviveu com a vítima em um mesmo ambiente.

Na China, os registros de violência doméstica triplicaram durante o isolamento social e em outros países também foi identificado um aumento.

Com isso, meios para denunciar casos de violência doméstica devem ser feitos, como em algumas farmácias em São Paulo por exemplo, foram orientadas a fazerem denúncias quando uma mulheres estiver com um “x” vermelho nas mãos, de caneta ou batom vermelho, já que com os homens grande parte do tempo em casa, dificulta o meio de denúncia sem que seja percebido .

Contudo, diante dos dados e informações citados acima, é de extrema importância que as equipes desta linha de prevenção devem ser aumentadas. As mídias  sociais devem promover campanhas e propaganda de apoio às mulheres, da forma que se sintam mais seguras à denunciarem, e divulgar novos meios de denúncia, promovidas pelo poder público como a ideia do “x” vermelho nas mãos. Com isso, esperasse que cada vez mais às mulheres sejam encorajados a denunciarem os casos de violência doméstica e que esses casos diminuam.