Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 24/07/2020

O Brasil é um país machista, em que mulheres são vistas como objetos de seus companheiros. Esse sentimento de posse gera inúmeros casos de violência doméstica. Um deles bem conhecido, a da farmacêutica Maria da Penha, que foi covardemente espancada pelo seu marido e isso resultou na perda do movimento das suas pernas. Com a chegada da quarentena, o número de casos de violência doméstica dispararam devido ao aumento de convívio entre agressor e agredido.

O machismo é uma questão histórica, mulheres não podiam votar, trabalhar, estudar e a única função atribuída ao gênero feminino foi de cuidar da casa, filhos e marido. Ao longo dos séculos, isso criou uma falsa noção que mulheres pertenciam aos homens. Com a luta feminista, mulheres tomaram posse de seus devidos direitos causando assim espanto e desconforto naqueles que ainda possuíam aquela noção retrógada. Com o início do isolamento social, houve um aumento de tempo passado em casa, o que, por sua vez, gerou um acréscimo de atrito entre as duas visões de mundo e como seu resultado o aumento da violência no âmbito doméstico.

Dados sustentam a tese de que a violência doméstica aumentou nesse período. Informações do Instituto Maria da Penha apontam que: 6 estados brasileiros registram aumento no números de queixas de agressões de mulheres, somente em São Paulo houve um aumento de 44,9% dos números de violência e o número de feminicídio no Brasil aumentou em 46%.

Para contornar a situação, é necessário quebrar a visão de objetificação feminina. É necessário que escolas comecem a dar aulas sobre papel de gênero, emancipação e luta das mulheres, assim construindo uma nova visão de mundo. Aliado a isso, o Estado deve garantir a segurança aumentando o número de delegacias especializadas em violência doméstica com o efeito de previnir, identificar e punir agressores.