Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 12/08/2020

Por conta de uma pandemia, os países do globo adotaram um sistema de quarentena, visando o combate ao vírus causador. Nesse contexto, o isolamento social intensificou as relações familiares apontando adversidades – o que pode gerar tensões – e, nesse contexto, diversas mulheres encontram-se presas em suas casas com agressores. Dessa forma, o confinamento resultou em uma maior visibilidade da violência doméstica, demostrada pelo aumento dos casos de denúncias.

É válido retratar, em primeira análise, de que forma a quarentena impacta na vida doméstica das mulheres. Certamente, o convívio direto entre cônjuges e o próprio isolamento é a principal causa do aumento de casos de violência, visto que esse cenário abre margens para conflitos intensos sem telespectadores. Ademais, as adversidades podem se transformar em diversas formas de agressão – física, psicológica, sexual e verbal –, deixando a vítima exposta a essa situação todas as horas do dia. Desse modo, discussões são intensificadas e transformadas em violência, deixando a vítima sem saída dentro de sua própria casa.

Cabe considerar, em segunda análise, as consequências desse contexto vivido. De fato, muitas mulheres não conseguem fazer a denúncia por estarem sempre no mesmo ambiente que seu agressor e, assim, é gerado um número alto de subnotificações. Partindo desse preceito, foram criadas diversas redes de apoio, como uma forma de incentivo às denúncias discretas, para que o agressor não note o pedido de ajuda. Dessa maneira, as vítimas com acesso a essas informações podem ter uma chance de escapar do sofrimento.

Mediante o exposto, pode-se concluir que o sistema de quarentena acentuou os casos de violência doméstica e os tornou mais visíveis. Logo, para combater essa realidade, a mídia — meio de comunicação e elemento persuasivo — deve promover maiores informações acerca das campanhas voltadas para auxiliar as vítimas de violência, como a campanha “Sinal Vermelho”, por meio da criação de propagandas discretas que abordem o assunto e disponibilize os dados necessários para se fazer uma denúncia. A partir dessa medida, espera-se que o maior número possível de mulheres fique ciente das redes de apoio disponíveis, a fim de que a realidade dessas possa ser modificada.