Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 15/07/2020

De acordo com a escritora nigeriana Chimamanda Adichie “se repetimos uma coisa várias vezes, ela se torna normal. Se vemos uma coisa com frequência, ela se torna normal”. Nesse sentido, é possível afirmar que, a violência doméstica está cada vez mais assídua e “normal” na sociedade, tendo tido maior destaque durante o isolamento social em meio à pandemia do Coronavírus. Dessa forma, nota-se a importância da identificação e denúncia contra o ciclo de violência doméstica.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a conjuntura socioeconômica atual tende a exacerbá-la, uma vez que a convivência forçada e as restrições de movimentação além de aumentar as tensões familiares, também dificultam a vítima de fazer uma denúncia. Para isso foram desenvolvidas algumas estratégicas, como por exemplo aplicativos e chats, em que mesmo na presença do agressor é possível pedir ajuda.

Além disso, é importante atentar-se que mesmo com diversos mecanismos, pode ser difícil a vítima denunciar, pois certamente há inúmeras mulheres em vulnerabilidade econômica e consequentemente dependência do seu agressor. Além disso, muitas vezes as vítimas não tem consciência que estão sofrendo agressão.. Por isso, é importante a presença de terceiros na luta contra a máxima “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Isso cabe também aos idosos, adolescentes, deficientes ou qualquer forma de violência doméstica.

Portanto, para acabar com o ciclo de violência é necessário em primeiro lugar que a pessoa agredida tenha segurança para quebrar o silêncio, para isso, o governo deve estabelecer o combate à violência doméstica como essencial, com plantões de 24 h. Bem como, criar elaborar políticas públicas de acolhimento às vítimas. Além disso, o Ministério da Saúde deve fornecer capacitação para os profissionais de saúde para que estes consigam identificar os casos. A mídia como formadora de opinião pode abordar o tema em propagandas e novelas a fim de conscientizar a população, tanto agressores como vítimas. Por fim, o próprio individuo deve ter consciência da importância de que a denúncia pode salvar vidas.