Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 17/07/2020
Entende-se que a violência contra a mulher, infelizmente, é uma constante na sociedade. Enquanto há países que rechaçam esse tipo de atitude, há locais no globo, como a Rússia, onde a agressão contra a mulher é legitimada pelo Estado. Este fato é produto da história e da cultura de determinada região, entretanto levando em consideração o atual estado de pandemia, em detrimento do vírus, obrigou as pessoas a permanecerem em isolamento social, o que tem aumentado o número de casos de violência doméstica já que o acesso aos postos de denúncia se tornou mais complexo e também pelo fato de muitas não terem conhecimento sobre o que é considerado crime.
Primeiramente, é válido destacar que o conceito de violência contra a mulher é bem amplo e que muitas acreditam que só se configura crime quanto a brutalidade se manifesta através da agressão física, quando na verdade o ato violento pode refletir de forma verbal, sexual, psicológica e até mesmo contra o patrimônio. Sendo assim, é necessário tornar esses fatos esclarecidos para as vítimas, pois partindo do pressuposto que houve um aumento de 30% nos casos só no Estado de São Paulo, segundo MPSP, deve haver um número maior ainda, já que muitas não sabem reconhecer o que configura esse tipo de crime. Ainda assim, o que faz com que ocorra o aumento de casos de violência doméstica durante a quarentena é o caos e o estresse generalizado causado por esse momento.
Esse período único na história contemporânea, acabou gerando um clima de tensão sobre as pessoas e consequentemente acabou refletindo nas relações, especialmente as abusivas, que acabou deixando o abusador ainda mais violento. Essas mulheres que já sofriam certos abusos, viam ao sair para trabalhar, uma escapatória para não serem acometidas pelas ações agressivas de seu companheiro. A partir do momento em que foi decretado quarentena, essas ficaram de mãos atadas, não só pelo fato de se verem presas com seu agressor, mas também viram que a possibilidade de efetuarem alguma denúncia havia diminuído drasticamente. Frente a essa problemática, as pessoas se mobilizaram através das redes sociais para oferecerem apoio a essas, dando suporte a elas para denunciarem.
Diante do que foi exposto, conclui-se que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, deve se fazer mais presente frente a essas questões de agressão doméstica e adaptar os mecanismos de denúncia, deixando-os mais próximos daquelas que sofrem abusos. Isso deverá ser feito através de campanhas para o reconhecimento da atitude criminosa e de incentivo a acusar, como foi realizado na campanha ‘‘Sinal Vermelho’’, que tornou possível a denúncia ser efetuada em farmácias. Tal atitude deverá ser tomada para que esses crimes sejam denunciados e o agressor seja penalizado, caso contrário se o Estado se omitir frente a essa questão, estará legitimando a violência doméstica.