Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 17/07/2020

A quarentena, período que tem como objetivo a redução de casos da Covid-19, é boa no sentido de proteger cidadãos de uma doença fatal, porém, para alguns indivíduos, especialmente mulheres, esse isolamento acaba se tornando nocivo, visto que o índice de violência doméstica aumentou. Isso aponta que a quarentena pode formar um aumento de tensões familiares, que somado a diversos fatores criados pela situação pandêmica, tais como desemprego e sobrecarga de tarefas de casa, resultam na violência doméstica.

Primeiramente, deve-se compreender que a violência doméstica, na maioria das vezes, se inicia com o abuso psicológico e seu último estágio é com uso da violência física. Assim, com esse abuso psicológico, as vítimas tendem a se calar diante a situação e não procurarem ajuda. Apesar disso, muitas dessas mulheres ao trabalharem ou exercerem tarefas fora de casa, viam uma ‘’brecha’’ para escapar da violência diária e com a pandemia, que resultou na quarentena, essa ‘’brecha’’ não existe mais, fazendo com que as vítimas passem a viver de certa forma em cárcere privado com o constante uso da violência.

Além disso, existe o problema do aumento das tensões familiares, causado pelo momento de pandemia, que ao promover desemprego, sobrecarga de tarefas domésticas, incluindo tutelar filhos, e principalmente o aumento de consumo de bebidas alcoólicas faz com que o agressor, diante a uma situação de caos, use a violência contra a mulher, fazendo com que a frase de Dalai Lama ‘’violência não é um sinal de força, a violência é um sinal de desespero e fraqueza’’ seja verdade, já que o agressor se encontra em uma situação incertezas e ‘’desconta’’ sua raiva com o uso de agressão.

Desta forma, conclui-se que é necessário que o governo, em parceria do Ministério da Mulher e da Família, crie medidas para combater o aumento da violência em período de pandemia. Assim, é necessário que se promova campanhas e a divulgação, por meio de mídias, de formas de denúncia, tais como os já criados ‘’botão do pânico’’, ‘’campanha do sinal vermelho’’ e o aplicativo ‘’mete a colher’’. Além disso, devem ser criadas, o mais rápido possível, iniciativas que abriguem vítimas em hotéis, de forma com que o governo, contratando serviços de hotelarias em determinadas áreas, consiga acolher mulheres vítimas de agressões, de maneira que não fiquem reclusas no ambiente doméstico com o agressor.