Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 17/07/2020

Assim como na série ‘The Society’ da Netflix,  há a ocorrência de violência doméstica e abusos, incluindo ameaças, tortura psicológica e afogamento, em uma cidade reclusa do mundo, , ocorre dessa mesma forma neste momento de pandemia e isolamento social, gerada por conta das tensões pelo convívio forçado, causando aumento em feminicídios e abusos contra às mulheres.

Diante da situação, a população se posicionou contra os abusos por meio da campanha do sinal vermelho na mão, que além de proporcionar maior segurança às mulheres, é uma forma de conscientizar e informar a população das agressões que já aconteciam em grande escala antes da pandemia, visto que as taxas de violência cresceram em 44% durante esse período. Dessa maneira, esses acontecimentos evidenciam a visão patriarcal que sociedade tem sob as relações na família, na qual a mulher é considerada inferior ao homem, dessa forma causando desigualdades e conflitos. Por conseguinte, a socióloga Simone de Beauvouir acredita que o papel da mulher é construído socialmente, portanto é evidente que esse papel foi construído de forma errônea e desigual durante a história.

Portanto, a causa dos abusos e agressões, são frutos de um problema estrutural a qual a sociedade cultivou por milhares de anos. Por conta disso, a advogada Juliana Mercuri diz, “Estamos inseridas na cultura punitivista: a nossa maior preocupação é sempre a punição do agressor, sendo que a violência doméstica é uma questão muito mais complexa, estrutural, que não se resolverá caso a caso”. Dessa forma, pode-se verificar que a estrutura de combate usada atualmente não é adequada ao problema que a sociedade lida, sendo que a prisão não fará com que um homem deixe de ser machista, prolongando o problema da violência contra mulheres.

Visto que sentenças jurídicas não são se adequam a sociedade atual, já que o problema é estrutural e a violência doméstica não terá um fim se for resolvido caso a caso, é necessário que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, invistam em políticas públicas para a proteção da mulher, como por exemplo casas de apoio e campanhas de acolhimento, assim como em projetos de reeducação em escolas, para que desta forma possa-se construir um novo e adequado papel à mulher, eliminando a estrutura machista e patriarcal, assim diminuindo os casos de violência domiciliar e tendo um fim nas cenas de abusos como retratadas em ‘The society’.