Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 19/07/2020

A sétima arte retratou, no filme “Um céu de estrelas”, um caso de violência doméstica e a luta que a personagem trava para sair dessa situação, a qual se tornou comum no cotidiano. No contexto de pandemia, fatores como cultura machista e isolamento social agravaram o medo que já existia nos lares brasileiros. Nesse viés, é necessário debater sobre os motivos violência doméstica ter aumentado na quarentena e a necessidade de reverter essa realidade.

Em primeira análise, a cultura machista está tão impregnada no País, que de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 92% das mortes ocorridas em 2016 são de homens. Mas por trás desses dados, está a “masculinidade tóxica”, conceito que impõe a agressividade ao homem e ridiculariza aquele que demonstra sentimentos e fraqueza.  Por conseguinte, conforme a Organização Mundial de Saúde, as mulheres vivem em média, 8,2 anos a mais.

Em segundo plano, o isolamento social aumentou os casos de violência doméstica. Conforme dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Estado de São Paulo foi responsável pelo acréscimo de 44,9% nos atendimentos às vítimas. Em adição, tem-se as falas do Presidente Jair Bolsonaro que justifica a fúria sofrida pelas companheiras ao fato dos maridos estarem desempregados. Consequentemente, esse pensamento reforça toda a fereza adquirida com o patriarcalismo cultuado desde a Roma Antiga.

Portanto, para acabar com a violência doméstica, é urgente que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos lance uma campanha, nas mais diversas plataformas, orientando sobre os canais disponíveis para denúncia e sobre a importância de denunciar. Além disso, o Ministério deve, em parceria com as Secretarias de Educação Municipais, realizar rodas de conversas e palestras nas escolas, a fim promover uma cultura de igualdade entre gêneros. Assim, a sociedade brasileira reduzirá a violência e encerrará o machismo.