Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 19/07/2020
Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa as complicações que a violência doméstica e o machismo trazem para a sociedade contemporânea, observa-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, e a problemática persiste ligada à realidade do país. Nesse sentido, convém analisar as principais causas, consequências e a possível solução para esse impasse. Em primeiro lugar, é primordial pontuar que as agressões domésticas ocorrem também pelo fato do Brasil ser uma sociedade na grande parte que tem opiniões e atitudes que recusam as ideias de igualdades dos direitos entre homens e mulheres, gerando assim, diversas ocorrências de crueldades contra as mulheres que muitas vezes resultam no feminicídio, tendo em vista que muitos desses casos, acabam sendo arquivados quando chegam na delegacia. Percebe-se dessa forma que o ideal iluminista, não está sendo colocado em prática pelas autoridades policiais, visto que não é dada a devida importância para as mulheres que sofrem com esse obstáculo. Assim como, segundo Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, quando se observa a violência doméstica percebe-se que o conceito do filósofo não está sendo usado no Brasil. Desse modo, é fundamental a reformulação imediata dessa postura estatal.
Além disso, é importante ressaltar a falta de acompanhamento psicológico as pessoas nessa quarentena, pois um profissional da área, saberia identificar os agressores e as vítimas, levando em consideração que as agressões domésticas podem ser físicas, psicológicas, morais, sexuais e patrimoniais. Paralelo a isso, de acordo com os dados do “Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humano (MMDH) ”, a quantidade de denúncias de violências domésticas na pandemia, cresceu quase 40% em relação a mesma época do ano passado (2019). Levando em consideração ainda, todas aquelas mulheres que não chegaram a denunciar os crimes que foram cometidos, muitas vezes por vergonha ou por falta de informações. Portanto, percebe-se claramente que é inadmissível que este fato ocorra na sociedade atual.
Dessa forma, busca-se o fim não apenas das violências domésticas, mas inclusive do começo para o combate ao machismo. Logo, o governo juntamente com o ministério da saúde, deve reforçar a equipe de psicólogos e assistentes sociais em atendimentos on-line ou por ligações, para a parcela da sociedade que não possui condições financeiras para arcar com as despesas de um profissional dessa área. Nesse contexto, o Brasil iria ter a diminuição dos casos de violências domésticas durante a quarentena, ajudando inclusive a retardar os casos após essa época, com atendimentos presenciais.