Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 21/07/2020

“Durante todo aquele flagelo, eu lembrava de tantas mulheres que sofrem violências na esfera familiar, e mais, as que perderam suas vidas.” A frase proferida pela ativista Maria da Penha - que teve uma lei sancionada em seu nome - relata o grave quadro social vivenciado pelas mulheres brasileiras. Nesse âmbito, é possível afirmar que a violência doméstica no Brasil se agravou durante a quarentena. Assim, convém discutir as principais causas desta problemática em nosso país.

Inicialmente, cabe ressaltar que o confinamento obrigatório é um dos grandes motivadores do agravamento das agressões ao sexo feminino em território nacional. De acordo com o jornal Folha de São Paulo, por causa do isolamento social durante a pandemia, as vítimas estão obrigadas a conviver com seus companheiros algozes e, infelizmente, permanecem, em sua maioria, caladas diante dos abusos. Nesse sentido, é imprescindível proteger estas cidadãs que sofrem agressão física e psicológica em suas residências, como notadamente denuncia Maria da Penha.

Além disso, a vulnerabilidade socioeconômica potencializa a ação dos abusadores. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) para Mulheres, em muitos países com histórico socieconômico vulnerável, é impossível às mulheres denunciar a violência doméstica, pois elas vivem com os próprios abusadores em residências de apenas um ou dois dormitórios. Desse modo, não há dúvidas de que as autoridades governamentais brasileiras precisam, urgentemente, coordenar ações para modificar este quadro.

Portanto, para combater a violência doméstica no país, é necessário maior atuação do Estado. Nesse sentido, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos deve intensificar a divulgação dos canais de denúncia como o “Disque 100” e o “Ligue 180”, por meio de campanhas publicitárias veiculadas na internet, rádio e TV, com a participação de atrizes e cantoras, para uma mobilização nacional efetiva. Espera-se, com isso, proteger a vida e garantir a dignidade das brasileiras.