Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 22/07/2020
“Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”. Com sua origem em um passado extremamente conservador e machista, de que ninguém deve se intrometer em conflitos de outros casais, é reflexo de um problema persistente na sociedade, a violência doméstica. Analogamente, nos dias atuais esse cenário tem se agravado por causa do isolamento social. Comprova-se isso visto que de acordo com o Ministério da Mulher e Direitos Humanos (MMDH) o número de denúncias durante a quarentena aumentou 40% em relação ao mesmo período do ano passado, e para reverter esse cenário é preciso uma ação conjunta.
Em primeiro lugar, é importante lembrar que a violência não se limita a agressão física, mas também psicológica, sexual, patrimonial e moral e em todos os casos é crucial prestar queixa. Outro fator a ser considerado é devido a convivência forçada com o agressor, o uso mecanismos de denúncia discretos e silenciosos é primordial para gerar segurança a vítima, por exemplo a Magazine Luiza, que voltou um post no instagram para atrair mulheres com produtos de maquiagem para “esconder as marquinhas”, mas a direciona para o disque denúncia 180.
Em segundo lugar, a colaboração social é fundamental, pois em muitos casos o agressor impede qualquer tipo de contato com outras pessoas, há necessidade de conscientizar a população que em briga de casais deve-se intervir e comunicar as autoridades, uma vez que isso capaz até mesmo salvar a vida da vítima e pode ser feito de forma anônima. Além disso é de suma importância que os órgãos públicos atuem em conjunto para prestar assistência psicossocial após boletim de ocorrência.
Em síntese, é preciso que o Ministério da Mulher (MMDH) em parceria com os canais midiáticos invistam em mecanismos de denúncia online e em serviços de emergência, além de campanhas publicitárias sobre formas de identificar os abusos e a importância de prestar queixar caso sofra ou presencie casos de violência doméstica. Ademais cabe aos órgãos de segurança pública a garantir assistência a mulher após a denuncia por meio de medidas protetivas, prisões e o fornecimento de endereços de casas de abrigo temporário. Por meio dessas ações será possível mudar o cenário atual.