Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 23/07/2020

O filme brasileiro “Um Céu de Estrelas” relata a complexa história de Dalva e os diversos tipos de agressões que sofria por parte do marido. Entretanto, fora da ficção, a violência doméstica é uma realidade presente no hodierno contexto brasileiro e torna-se cada vez mais notória, principalmente durante o período de isolamento social. Sob esse viés, infere-se que o combate ao aumento da violência doméstica é imprescindível e deve partir do ataque às suas raízes, tais como: a ineficiência das políticas públicas e a escravidão emocional sofrida pelo público feminino.

É relevante abordar, primeiramente, que os déficits nos mecanismos de proteção às mulheres contribuem para essa problemática. De acordo com pesquisas realizadas pela ONU Mulheres- entidade das Nações Unidas para a igualdade de gênero- os índices de agressões contra o público feminino crescem cerca de 20% durante o período de quarentena. Todavia, apesar do grande quantitativo de denúncias, os casos não são tratados de forma responsável, pois a maioria das denúncias são arquivadas, consequentemente, contribuindo para a impunidade dos agressores. Dessa maneira, a casa, que deveria ser um lugar de acolhimento, torna-se o principal ambiente para a violência.

Ressalta-se, ademais, que a dependência emocional também atua como um óbice. A escritora Marcia Tiburi afirma em seu livro “Feminismo em Comum” que “A família e o amor valem mais que tudo, quando, na verdade, o amor de devoção a família serve para amenizar as agressões e escravizações”. Evidencia-se, portanto, que há mais casos do que os já contabilizados, todavia não são notificados, pois o medo atrelado à dependência emocional e financeira, principalmente durante o contexto de isolamento social, interferem no combate á violência doméstica.

Urge, portanto, que o Governo Federal deve criar programas em prol da segurança da mulher e otimizar aqueles já existentes, como o disque-denúncia 180, por meio do redirecionamento de verbas para a criação de aplicativos de denunciação e abrigos que auxiliem às vítimas de violência, a fim de diminuir as taxas de agressão doméstica, garantindo, assim, uma erradicação efetiva dessa problemática. Outrossim, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos em parceria com a Mídia deve criar campanhas de apoio e de alerta à população sobre a violência de gênero, através de programações televisivas e para conseguir uma devida conscientização em massa. Dessa forma, será possível a existência de menos “Dalvas” no mundo.