Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 22/07/2020
No Brasil, um dos problemas que se enfrenta é o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena. Isso decorre, principalmente, por causa da negligência governamental e do individualismo da população. Nesse sentido, é fundamental analisar as causas que fazem dessa problemática uma realidade contemporânea.
Pontua-se, de início, o trabalho pouco eficaz do governo nesse cenário. De acordo com a Constituição Federal, promulgada em 1988, é dever do Estado assegurar a todos os indivíduos o direito à vida, à liberdade e à segurança. Contudo, observa-se que o Estado brasileiro não tem sido apto de conduzir e combater a violência doméstica no país, visto que houve um aumento de mais de 50% no número de denúncias desde que o isolamento começou, segundo o TJRJ. Infelizmente, a falta de políticas públicas que forneçam um maior amparo para essas vítimas acaba acarretando em um aumento dos casos desse problema, pois as vítimas não denunciam por medo, já que a justiça é muito falha. Em consequência disso, a ineficiência governamental afeta, de forma negativa, a vida dessas mulheres, o que resulta na perda do bem-estar. Dessa forma, faz-se necessária uma maior atuação governamental nessa temática para que haja a atenuação da violência doméstica no país.
Além disso, critíca-se a forte mentalidade individualista da sociedade brasileira. O sociólogo Zygmunt Bauman defende, em sua obra “Modernidade Líquida”, que uma das principais características – e de maior conflito – da pós-modernidade é o individualismo. Dito isso, é indubitável o descaso de diversos cidadãos com essa problemática ao se observar que praticam atividades ilegais em nome de interesses pessoais, como a violência sexual, física e verbal, que extrapola qualquer fronteira ética. Infelizmente, a violência doméstica está cada vez mais presente no Brasil, sendo intensificada nesse período de quarentena, já que diversos cidadãos aceitam qualquer tipo de violência sem fazer denúncias por medo ou pela própria mulher se culpar em casos como esses, desestimulando a denúncia contra o agressor, tornando-se uma realidade normalizada na sociedade. No entanto, não é razoável esse tipo de comportamento, fazendo-se necessário o repúdio a esses atos.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para que haja a atenuação desse problema. Cabe, então, ao Ministério da Educação, trabalhar em parceria com as escolas, promovendo palestras e projetos, por meio de semanas interativas entre as famílias e as escolas para que possam discutir a violência doméstica e suas consequências e informando a importância da denúncia, com o intuito de promover uma reflexão nos cidadãos para que abandonem com essa prática. Dessa forma, será possível construir uma sociedade preocupada com o bem coletivo.