Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 23/07/2020
De acordo com a escritora nigeriana Chimamanda Adichie “se repetimos uma coisa várias vezes, ela se torna normal. Se vemos uma coisa com frequência, ela se torna normal”. Nesse sentido, é possível afirmar que a violência doméstica está cada vez mais habitual na sociedade, tendo tido maior destaque durante a pandemia do Coronavírus. Dessa forma, nota-se que a denúncia é a principal arma para se acabar com o ciclo de violência doméstica.
Em primeiro lugar, cabe destacar que a convivência forçada e as restrições de movimentação devido ao isolamento social tende a aumentar as agressões. No Rio de Janeiro, por exemplo, houve um aumento de 50% no número de denúncias de violência doméstica em março, segundo o Tribunal de Justiça do estado. Isso reforça a ideia de que a violência no âmbito familiar sempre foi uma realidade, porém intensificadas com a tensões geradas pela quarentena.
Em contrapartida, apesar do aumento no número de denúncias, muitas vítimas não conseguem relatar as agressões, pois estão constantemente na presença do seu agressor. Para isso, foram desenvolvidos o aplicativo Direitos Humanos Brasil e o site da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, que não necessita de verbalização e facilita o pedido de ajuda. Porém, esses recursos não alcançam as vítimas que não têm acesso à telefones ou computadores, o que dificulta a denúncia nas camadas mais pobres durante a quarentena.
Portanto, para acabar com esse ciclo violento é necessário, em primeiro lugar, que a pessoa agredida tenha segurança para quebrar o silêncio. Para isso, o governo deve garantir que o atendimento às vítimas sejam ininterruptos, para que elas possam buscar ajuda a qualquer momento. Além disso, o Ministério da Saúde deve realizar treinamentos para os funcionários da área, para que possam identificar os casos de maus tratos. A mídia como formadora de opinião pode abordar o tema em propagandas para que as pessoas saibam identificar quando houver um ato de violência. Por fim, o próprio indivíduo deve buscar conhecer as formas de violência e realizar a denúncia, quando necessária. Só assim, a violência doméstica deixará de ser um ato disfarçado de briga normal de família.