Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 01/08/2020
Segundo dados do TJRJ, a denúncia de violência doméstica aumentou em mais de 50%. A preocupação das autoridades não se volta apenas para o vírus que se alastra rapidamente, como também, para os números alarmantes de abusos físicos, sexuais e emocionais contra as mulheres. Possivelmente, os dados podem ser ainda maiores, tendo em vista que muitas denúncias não são feitas pelas vítimas, seja por medo, vergonha, dependência financeira ou por acreditar numa mudança do agressor. Diante disso, notam-se alguns fatores que devem ser analisados nesse contexto: o machismo como vetor da violência, o papel da sociedade em busca de um país mais igualitário e o Estado como difusor/promotor dos direitos das mulheres.
Como relata Maria da Penha, o machismo é enraizado na cultura brasileira. Este prega uma superioridade masculina que é visível: as mulheres, mesmo desempenhando as mesmas atividades que os homens, têm seus salários inferiores só pela fato de serem mulheres. Algumas profissões, cargos de alto escalão e na política são ocupados em sua maioria, por homens. Hoje, as mulheres trabalham fora, cuidam de casa, estudam, são esposas, donas de casa.
Assim, deixando de desempenhar apenas as tarefas domésticas, as mulheres vêm lutando por direitos que são seus. Com alguns líderes a frente representando diversos movimentos em prol da minoria, já é possível ver grupos que lutam pela igualdade de gênero, e, em especial, pelo espaço da mulher: seja no mercado de trabalho ou em casa. A sociedade notoriamente faz parte desse processo de descaracterizar a ideia de que mães/filhas/tias/avós devem continuar (apenas) cuidando dos filhos em casa.
Diante dessa realidade, as políticas públicas são necessárias por parte dos governantes com o objetivo de diminuir a violência, o feminicídio e qualquer forma de agressão e invasão dos espaços das mulheres. Leis rígidas e punições severas, apoio psicológico e humanizado às vítimas desde o momento da denúncia. O Estado precisa dispor de meios necessários e suficientes para apoiar a causa, fazendo campanhas e buscando o cumprimento das leis. Processos morosos, por sua vez, favorecem a cultura da não punição.
Não obstante, o distanciamento social só trouxe a tona a realidade já enfrentada historicamente no país. Os números elevados de violência doméstica só vêm a corroborar o reflexo de uma sociedade machista, permissiva, intolerante e arraigada pela falta de punição e aplicação das devidas leis. É necessário uma mudança não só de atitudes, como também cultural. O que se busca é o respeito com o próximo independente de sexo, cor, credo, profissão.