Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 24/07/2020
O mundo atual é marcado por casos de violência doméstica, podendo ser expressa de forma psicológica, sexual e até mesmo física. Tais acontecimentos tem aumentado drasticamente no momento de isolamento social devido ao coronavírus. Dessa forma, o distanciamento social para essas pessoas não tem trazido mais segurança, e sim o medo, o assédio e muitas vezes a morte. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causa uma mídia ineficaz e uma sociedade egoísta e alienada.
Primeiramente, é importante destacar que os meios de difusão de informação possuem um importante papel na formação da opinião social, que não fornece o apoio às mulheres vítimas de violência doméstica. Essas pessoas não se sentem amparadas, principalmente no momento de quarentena, e não sabem o que fazer em tal situação. Além disso, o desrespeito contra as mulheres é histórico, principalmente na mídia tradicional, e há diferenças alarmantes na forma como os gêneros são retratados, um exemplo disso, é o fato de casos de feminicídio, serem chamados, constantemente de “crime passional”. Essa hierarquia social que é passada por gerações pode ser comparada com a frase de Simone de Beauvoir: “Basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados”.
Ademais, a sociedade tem se mostrado cada dia mais machista e patriarcal, já que culpabiliza a mulher pela agressão, o que a desestimula a denunciar o agressor. Esses casos de violência doméstica tiveram um aumento de mais de cinquenta por cento durante o período de quarentena. Porém, a situação se torna cada vez pior quando a mulher se vê presa em sua própria casa com o agressor, sem o apoio de amigos, vizinhos e familiares, que muitas vezes pela mentalidade machista ignoram a violência doméstica. Pode ser estabelecido em paralelo com a situação, o pensamento do filósofo Zygmunt Bauman, que em seu livro “Modernidade Líquida” demonstra a queda das atitudes éticas da comunidade pela fluidez de seus valores, a fim de atender seus interesses pessoais, aumentando o individualismo e a opressão. Portanto, medidas devem ser tomadas para que os casos de violência doméstica durante o isolamento social sejam reduzidos.
Por conseguinte, a mídia deve fazer campanhas que incentivem as vítimas de violência doméstica a denunciarem o agressor, para que elas não se sintam sozinhas e desamparadas. Tal campanha deve ser feita por meio dor jornais mais assistidos na televisão. Além disso, os meios de difusão de informação devem divulgar os casos de agressão para que a sociedade tenha conhecimento sobre o que está acontecendo. Somente dessa forma a violência doméstica durante a quarentena irá diminuir.