Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 28/07/2020
“Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”. Com sua origem em um passado extremamente conservador e machista, de que ninguém deve se intrometer em conflitos de outros casais, essa frase é reflexo de um problema persistente na sociedade, a violência doméstica. Analogamente, nos dias atuais, esse cenário tem se agravado por causa do isolamento social. Comprova-se isso, visto que, de acordo com o Ministério da Mulher e Direitos Humanos (MMDH), o número de denúncias durante a quarentena aumentou 40% em relação ao mesmo período do ano passado, e para reverter essa situação é preciso uma ação conjunta.
Em primeiro lugar, é importante lembrar que a violência não se limita a agressão física, mas também psicológica, sexual, patrimonial e moral e em todos os casos é crucial prestar queixa. Outro fator a ser considerado é, devido a convivência forçada com o agressor, o uso de mecanismos de denúncias discretos e silenciosos é primordial para gerar segurança a vítima, por exemplo a Magazine Luiza que voltou um post no instagram para atrair mulheres com produtos de maquiagem para “esconder as marquinhas”, mas a direciona para o disque denúncia 180.
Em segundo lugar, a colaboração social é fundamental pois, em muitos casos, o agressor impede qualquer tipo de contato com outras pessoas, há necessidade de conscientizar a população que, e briga de casais, deve-se intervir e comunicar as autoridades, uma vez que isso pode até mesmo salvar a vida da vítima e é feito de forma anônima. Além disso, é de suma importância que os órgãos públicos atuem em conjunto para prestar assistência psicossocial a mulher após o boletim de ocorrência.
Em síntese, é preciso que o Ministério da Mulher (MMDH) em parceria com os canais midiáticos invistam em mecanismos de denúncia online e em serviços de emergência, além de campanhas publicitárias sobre formas de identificar os abusos e a importância de prestar queixa caso sofra ou presencie casos de violência doméstica. Ademais cabe aos órgãos de segurança pública garantir assistência a vítima após a denúncia por meio de medidas protetivas, prisões e o fornecimento de endereço de casas de abrigo temporário. Por meio dessas ações será possível mudar o cenário atual.