Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 09/01/2021

Para o escritor Rubem Alves, “a saúde mental é um estômago que entra em convulsão sempre que lhe é servido um prato diferente”. Analogamente a essa reflexão, o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena na pandemia do Covid19 é resultado da desordem mental causada pelo desconhecido somada ao machismo estrutural permeado na sociedade. Dessa forma, o debate sobre o aumento dos crimes domiciliares deve ocorrer no que tange ao período de incerteza, de instabilidade econômica e de medo de contrair a doença, questões que ferem o emocional dos cidadãos, bem como na diminuição do contato com instituições que são mediadoras dos relatos de hostilidade.

Sob tal perspectiva, muito embora seja sabida a carga patriarcal a qual, historicamente, a mulher e a criança devem ser submissas em  casa, com o isolamento social, de acordo com a “Fiocruz”,  18% da população aumentou o consumo de bebida alcoólica para diminuir a angústica causada pela tensão do momento. Com isso, ocorrem muitos casos nos quais, em um desentendimento itrafamiliar, essa bagagem agressiva é resgatada em um ímpeto e causa transtornos sérios e preocupantes. Nesse sentido, além de o método para reprimir a frustração quanto ao período vivido ser maléfico para saúde , como também não auxiliar no momento de respeitar as regras de prevenção ao vírus devido a falta de controle físico causado pelo álcool, ele deixa as pessoas mais agressivas e mais passivas de distorcer o que está acontecendo.

Além disso, no início do isolamento social as denúncias no disque 100 aumentarm 85%, esse fato expõe o quanto está problemático a seguridade quanto a integridade das pessoas, principalmente mulheres, idosos e crianças. Entretanto, com a sobrecarga do sistema de saúde pública e o fechamento das escolas, que são os principais mediadores dos relatos de agressão doméstica, os indivíduos passaram a ter maior dificuldade em comunicar episódios de violência, seja como vítimas ou testemunhas. Logo, fica notório que os dados de crimes recorrentes em domicílio deve ser maior do que é falado, o que demonstra que o muro do silêncio, o qual já era característica de tal problema, ficou ainda mais alto na atual pandemia.

Portanto, a Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, deve elaborar uma campanha de ficção engajada, por meio das mídias sociais e televisivas, que apele, de forma emocional, para que haja diminuição no consumo de bebidas alcoólicas de forma rotineira nas casas e que estimule os vulneráveis, inclusive infantos, a procurarem ajuda. Como efeito social, essa ação irá atingir e empoderar aqueles que estão sofrendo sozinhos durante o distanciamento social.