Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 02/08/2020
Na séria Coisa Mais Linda, da Netflix, uma das atrizes é violentada, periodicamente, de diversas formas, dentro de sua casa, por seu esposo. Nesse aspecto, a história se repete não em telas, mas sobre mulheres destituídas de suas dignidades, representadas pelo aumento dos índices de violência doméstica durante a quarentena. Dessa forma, a visão equivocada do papel da mulher em sociedade e a intensificação dos sentimentos em períodos de confinamento favorecem esse acréscimo.
Em primeiro lugar, é necessário ressaltar que a violência nas famílias é reflexo de uma mentalidade equivocada sobre a mulher. Embora a Constituição Federal resguarde o direito à segurança, os resquícios do pensamento de que elas só servem para os afazeres domésticos permanece em algumas regiões e fragiliza a norma. Dessa forma, o homem se acha no direito de intervir em suas escolhas, mesmo que pra isso seja necessário a violência. No entanto, essa ideia precisa ser superada para que elas possam usufruir da garantia constitucional.
Em segunda análise, o confinamento intensifica os sentimentos corroborando aumento nos casos de violação dos direitos em ambientes domésticos. Nesse aspecto, é estimado um incremento de aproximadamente 1/2 nos casos de feminicídios em períodos de quarentena. Deve-se a isso, o aumento das tensões psicológicas causadas pelas incertezas geradas com a pandemia. Esses sentimentos negativos aflorados e a junção com uma visão distorcida da função da mulher acarreta em violência das mais diversas formas.
Infere-se, portanto que o Ministério dos Direitos Humanos deve promover campanhas de conscientização sobre os diversos papéis da mulher na sociedade e igualdade de gênero. Isso pode ser realizado por meio de discussões em jornais e escolas como, por exemplo, no Jornal Nacional com especialistas na área. O objetivo da ação é a difusão de igualdade de gênero e com isso maior consciência de direitos e deveres para, por fim, eximir a violência doméstica da sociedade.