Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 03/08/2020
Desde o início da pesada influência cristã no governo e cultura da Europa, a visão patriarcal foi imbuída nas nações que, em não muito tempo, viriam a conquistar todo o mundo. Hoje, em quarentena, diversas mulheres ainda sofrem com a retrógrada visão de mundo medieval, a mercê de um “parceiro” que, biologicamente mais robusto, é capaz de oprimir seus direitos mais básicos.
Agora, na era globalizada e interligada pela internet, a objetificação da mulher pela exposição demasiada em redes sociais, o mercado pornográfico e até mesmo as interações desrespeitosas nas mais diversas mídias apenas reforçam o comportamento agressivo e dominador de homens em cima de mulheres, normalizando um padrão tóxico de relacionamento e, indiretamente, incentivando as mais diferentes violências domésticas.
A situação complica-se quando as vítimas, por motivos maiores, estão ha mais de quatro meses retidas no mesmo ambiente que seus agressores, tendo como unica escapatória o acesso aos canais de suporte a mulher que, mesmo presentes, não são utilizados por puro medo de possíveis agressões ou a perda do companheiro que, mesmo violento, ainda é o provedor de moradia e alimentação.
Começou-se então, diversas campanhas de mobilização e incentivo a denuncia, seja em reuniões, aplicativos (como o Magalu, que incluiu entre as categorias de compra, uma opção secreta de denuncia), ignorando porém o fato de que, mesmo com o Instituto Maria da Penha ativo e operante, diversos agressores ainda saem impunes, ou são muito piamente punidos, inevitavelmente retornando com as agressões, muitas vezes mais intensas.
Enquanto apenas iniciativas privadas e pequenas subdivisões estatais agirem no assunto, a violência doméstica continuará tão presente ou crescerá ainda mais, A implantação de projetos educacionais em escolas ou a ação de ONGs para mobilização estatal podem ser peças fundamentais
para o processo de conscientização de uma população que até os dias de hoje, por temor, prefere não denunciar uma agressão.