Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 06/08/2020

A pandemia de Corona Vírus surpreendeu a todos, e, por ser um vírus novo, criou várias incertezas em relação ao seu contágio e tratamento. Justamente por causa desse desconhecimento, a OMS (Organização Mundial da Saúde) e os governos da maioria dos países acordaram que, o isolamento social seria elementar durante a pandemia. Comprovada a eficiência do isolamento, um problema social antigo emergiu ainda mais durante o contexto da chamada ‘quarentena’: a violência doméstica.

Sendo um problema intimamente ligado com o patriarcalismo, a violência doméstica é todo e qualquer comportamento que possa ser caracterizado como abuso dentro de um contexto doméstico. Sendo assim, o isolamento social fez com as vítimas de violência doméstica permanecessem em constante contato com seu agressores, tornando os episódios de abuso mais frequentes, e, logicamente, mais graves. Engana-se quem pensa que violência doméstica limita-se apenas à relação marido/mulher, uma vez que, idosos e crianças, indivíduos mais frágeis e dependentes, são núcleos amplamente atingidos. Ademais, um dos grandes problemas que orbita a violência doméstica é exemplificado pelo velho ditado: “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”. O pensamento de que a intromissão na vida de terceiros é errada e antiética fez com que o brasileiro se tornasse omisso em situações de violência, principalmente de violência no contexto doméstico. Vizinhos, parentes e amigos, compactuam com a violência quando não a denunciam, uma vez que, parafraseando outro ditado popular, “Quem cala, consente”.

Portanto, sabendo que por hora o isolamento social por conta da Pandemia não é um regime que permite flexibilidade em sua estrutura, tornam-se necessárias medidas que visem minimizar e evitar os impactos da violência doméstica. Primeiramente, deve-se veicular campanhas elaboradas pelo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, que apoiem a denúncia de casos de agressão, desmistificando o estereótipo de que é errado “intrometer-se” na vida de terceiros. Além da campanha, o Estado deve direcionar recursos à ONG´s que dedicam seus trabalhos ao acolhimento de vítimas de violência doméstica.