Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 05/08/2020

O laço roxo é uma representação utilizada em campanhas de conscientização para a violência doméstica. Desde o início da pandemia de COVID-19, a violência e os abusos dentro de casa contra crianças, idosos, e principalmente mulheres, cresceram. Assim como o jornal Extra Classe afirma, “há uma epidemia de violência doméstica dentro da pandemia”. Essa é, infelizmente, a realidade e a dificuldade diária de muitas mulheres.

A Lei Maria da Penha, criada para combater a violência doméstica e familiar, garante punição com maior rigor dos agressores e cria mecanismos para prevenir a violência e proteger a mulher agredida. Apesar da criação de leis, tal violência só cresce ao longo dos anos, visto a existência de antigas ideias da inferioridade das mulheres enraizadas na sociedade e a grande desigualdade de gênero que existe. Segundo um levantamento realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número de ocorrências de violência contra a mulher aumentou em seis estados no país, em comparação ao mesmo período em 2019.

Visto isso, durante o confinamento vivido atualmente, agressores e vítimas se encontram juntos por mais tempo, o que aumenta as tensões e dificulta o combate à violência doméstica. Isso se deve pela dificuldade de se comunicar e de acessar os canais de denúncia, causando também uma enorme quantidade de subnotificação de denúncias. O medo por parte das vítimas, que existia mesmo antes da pandemia, se intensificou. Devido ao frequente contato, é mais difícil fazer uma denúncia de forma escondida, o que desencoraja muitas mulheres. Sendo assim, foi criada no Espírito Santo a campanha ‘Sinal Vermelho’, na qual mulheres vítimas de violência doméstica procuram ajuda em farmácias escrevendo na palma da mão um ‘X’ com uma caneta vermelha ou um batom, para que o atendente ou farmacêutico acione a polícia.

Portanto, para uma diminuição os casos de violência doméstica, é imprescindível por parte do Estado, a intensificação dos meios de denúncia como o Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o Disque 190 (Polícia Militar). É preciso também que sejam criados meios discretos para as mulheres fazerem uma denúncia e se sentirem mais seguras, como em sites de lojas ou de qualquer instituição pública ou privada, e também nas lojas físicas como o exemplo dado acima da campanha criada em farmácias no Espírito Santo.