Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 20/08/2020
Segundo o estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública foi possível verificar que à medida que a quarentena avançava, os registros policiais de violência doméstica caíram significativamente enquanto o número de mulheres assassinadas aumentava . Isso pode ser explicado muitas vezes pela convivência intensa que dificultava o pedido de ajuda por parte das vítimas. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da falta de racionalidade por parte do agressor e o silenciamento das vítimas à nível social impedindo a resolução problema.
Em primeiro plano, é preciso atentar para a impunidade presente na questão. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King de que “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar” cabe perfeitamente. De acordo com dados - da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) - somente 2% dos agressores no Brasil chegam a receber suas condenações o que corrobora para a irracionalidade e persistência criminosa sob o aumento exponencial de casos principalmente na realidade atual.
Além disso, o fato de que ainda a maioria das mulheres não denunciam seu agressor é mais um fator relevante nessa óptica. A impossibilidade de se dirigir até uma delegacia durante a quarentena aliada à uma sociedade machista e patriarcal que ainda culpabiliza a mulher pela agressão ou pelo fim de uma relação por consequência desestimula a denúncia. Em uma entrevista para o jornal O Globo, Marisa Gaudio diretora de mulheres da OAB-RJ enfatiza que não é apenas a agressão física que caracteriza a violência doméstica mas também a moral, a psicológica, a patrimonial e a sexual. Desse modo, faz-se necessário quebrar o silenciamento social referente a essa problemática. A informação é importante para que amigos e familiares também estejam atentos.
Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas estratégicas para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, as delegacias policiais com auxílio de profissionais da área da psicologia e assistencialismo social devem desenvolver palestras que sejam webconferenciadas com o objetivo de atingir o maior público possível a fim de trazer mais lucidez sobre o aumento de casos de violência doméstica durante a quarentena em consonância com a criação de novos pontos de denúncias mais acessíveis como , por exemplo, as farmácias que sejam intermediárias do contato com os policiais civis. Assim, será possível a identificação e a prevenção dos casos para que tanto a vítima seja capaz de denunciar quanto o agressor seja punido mediante seus atos.