Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 06/08/2020

No período medieval, a visão deturpada da figura feminina era comum, nesse sentido, a imagem dela era diretamente associada ao pecado e à corrupção da alma. Nessa lógica, na atualidade, é perceptível a persistência de ideias discriminatórias sobre as mulheres, nas quais estão inseridas e intensificadas nos casos de violência doméstica durante a quarentena. Nesse aspecto, é válido analisar as questões culturais e as consequências negativas dessa problemática para esse público.

Primeiramente, o machismo aliado ao patriarcalismo são as principais razões da prática de violência doméstica. Esse fenômeno ocorre devido à herança histórica do domínio do catolicismo na vida dos indivíduos, que pregava a ideologia de que a mulher devia ser submissa ao seu marido e realizar apenas as tarefas de cuidar da casa e dos filhos. Tal fato se reflete na teoria da “Microfísica do Poder”, do filósofo Michel Focault, na qual ele afirma que há relações de poder na sociedade, o que reforça a ideia de uma nação opressora. Diante disso, as agressões físicas e verbais representam uma opressão vivida pelas mulheres constantemente, corroborando, assim, para a destruição da sua integridade e do respeito pela sociedade.

Outrossim, o desenvolvimento de distúrbios psicológicos, como a depressão e a ansiedade, representam as graves consequências da violência doméstica. Isso ocorre porque muitas mulheres sofrem constantes ameaças do parceiro, pois são obrigadas a viver em silêncio diante das agressões, em virtude da dependência financeira, o que provoca um desgaste emocional muito grande. Essa questão dialoga com a tese do livro “Amor Líquido” do sociólogo Zygmunt Bauman, em que ele defende que a liquidez dos valores das relações familiares gera conflitos e repressão dentro dos lares. Dessa forma, é preciso que esse impasse, referente à discriminação, seja superado para que haja igualdade de direito entre os gêneros.

Fica claro, portanto, a necessidade de reverter esse quadro mediante políticas públicas educativas. Cabe à secretaria da mulher, em parceria com os profissionais de psicologia, a realização de palestras semanais gratuitas nas comunidades, objetivando a orientação das mulheres na superação do medo em denunciar seus parceiros, para que se evite o aumento de casos não notificados. Ademais, é essencial também que esses órgãos demostrem a importância de que as vítimas precisam se manter informadas sobre os seus direitos oferecidos pelo Estado, a exemplo dos meios de proteção, para a efetuação de denúncias, e a atuação da lei Maria da Penha, a fim que a violência seja combatida mais rapidamente, através de uma colaboração mútua entre mulheres e os mecanismos protetivos. E, com essas medidas, pode-se eliminar a opressão e os preconceitos sociais.