Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 08/08/2020

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o número de casos de violência doméstica aumentou na quarentena: só no estado de São Paulo, houve um aumento de 45%, aproximadamente, em relação ao mesmo período do ano passado. Para proteger essas vítimas, é preciso realizar um debate consciente e persistente, que trabalhe para melhorar as políticas públicas ineficiente pré-COVID-19 e que encontre soluções inovadoras para enfrentar esse problema durante a pandemia.

Infelizmente, mesmo antes do corona vírus os números já eram alarmantes. De acordo com informações da Central de Atendimento à Mulher - Lique 180, ocorreu um caso de violência doméstica a cada sete minutos, em 2015. Mesmo com a existência da lei conhecida como Maria da Penha, que foi um grande marco legal no combate à violência, as políticas públicas atuais não conseguem garantir a segurança das mulheres. Os principais motivos para isso são a subnotificação de casos, o atendimento inadequado nas delegacias da mulher e a própria lógica sexista da sociedade patriarcal. Dessa forma, as agressões domésticas são um problema que já existia e que agora precisa de mais atenção.

Além do contexto pré-existente, o isolamento social da pandemia intensifica a violência. Se antes as mulheres tinham mais chances de fugir de seus agressores, agora o quadro se inverte, pois essas vítimas precisam ficar constantemente em casa. À luz disso, é ainda mais necessário a busca de soluções que ajude as vítimas.

Portanto, para diminuir os números de casos de violência doméstica, durante a pandemia, é uma necessidade. Para tal, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos pode promover a criação de abrigos para acolher pessoas que denunciam, com o objetivo de afastar as vítimas dos agressores. Assim que resgatadas, as vítimas mudariam temporariamente para abrigos anônimos, até que a pandemia acabasse. Assim, o combate a essa violência poderia continuar, mesmo na pandemia.