Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 17/08/2020

De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” por ser, assim como essa, composta por partes que interagem entre si. Desse modo, para que esse organismo seja igualitário e coeso, é necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Contudo, no Brasil, isso não ocorre, já que em pleno século XXI as mulheres ainda são alvos de violência doméstica, quadro grave que se agravou durante o período de pandemia e de quarentena. Este problema, fruto da cultura de valorização do sexo masculino, demonstra um retrocesso na história do país.

É importante pontuar, de início, que na Antiguidade obtinha-se a ideia de que a mulher era um ser destinado a procriação e ao trabalho doméstico. Muitos filósofos, como Kant e Rousseau as designavam como quem não podia possuir ao mesmo tempo a beleza e a razão, criando-se assim a base de uma sociedade machista e desigual. Dessa forma, tornou-se frequente a violência contra esse grupo, em que a agressão física é a mais relatada, correspondendo a 51,68% dos casos. Entretanto, no contexto de isolamento social a violência física e sexual, o número de casos registrados no Brasil gerou aumento de quase 9% no número de ligações, segundo o Ministério da Mulher.

É fundamental pontuar, ainda, como a lentidão e a burocracia do sistema punitivo colaboram com a permanência de inúmeras formas de agressão no país. Nesse sentido, muitos indivíduos que se deparam com a realidade dos processos demorados e sem a devida atenção, continuam cometendo crimes como a violência doméstica. Sendo assim, em um período no qual medidas como a de isolamento social são prioridades, a vítima acaba sem ter refúgio ou suporte, ficando mais vulnerável ao quadro de violência doméstica.

Pela observação dos aspectos mencionados, o aumento dos casos de violência doméstica durante o período de isolamento social se agrava cada vez mais. É preciso reverter esse cenário. Para que o Brasil seja mais articulado como um “corpo biológico” cabe ao Governo fazer parcerias com ONGs, em que possam acolher as mulheres e encaminhar as causas para o Tribunal, para serem julgadas mais rápidas e democráticas. É viável também, que a Delegacia da Mulher seja mais exposta, com o objetivo de aumentar as denuncias e diminuir os casos, podendo ser feita através de campanhas educativas, veiculadas pelas mídias, demonstrando sua função fundamental na sociedade atual. Juntamente com isto, é de extrema importância promover palestras nas escolas, conscientizando de que a cultura de valorização do sexo masculino é uma ideia que se torna cada vez mais retrógrada. Dessa forma, toda a nação usufruirá do que Platão considera mais importante, uma vida digna.