Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 18/08/2020
Em tempos de pandemia, para a maior parte das pessoas, a quarentena é sinônimo de proteção. Entretanto, para algumas mulheres esse momento no qual não se pode sair de casa elas ficam trancadas com os seus agressores 24 horas por dia, mas se saírem dela, além do fato de que algumas dessas mulheres dependem financeiramente de seus parceiros, agora tem também o medo de sair e se contaminar com o vírus. Além disso as pessoas não podem sair de seus lares, o que acaba causando um aumento de estresse, que pode ser o motivo do crescimento da violência doméstica.
Desde que o isolamento social começou, cresceu em todo o mundo o número de casos de agressões contra as mulheres dentro de suas casas. O secretário-geral da ONU, António Guterres, chegou a fazer um apelo, no começo de abril, pedindo que os governos protejam as mulheres e as crianças. No ano de 2010, a pesquisa Mulheres Brasileiras nos Espaços Público e Privado (FPA/Sesc), mostrou que em condições normais, a cada dois minutos, cinco mulheres são espancadas no Brasil. Em 80% dos casos, o responsável pela agressão é o próprio companheiro, com quem convive diariamente. Agora, após o início da quarentena, dados do TJRJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro) apontam um aumento de cerca de 50% de casos de violência contra a mulher após o início da recomendação de isolamento social no estado, em março.
O aumento do tempo de convívio com o agressor é um fator que fez com que os números de violência contra mulher subissem mas não foi o único, o aumento do estresse e a sobrecarga de trabalho em casa para a mulher, também é dos motivos que propiciam a ocorrência de violência, em lares onde a principal forma de comunicação já é a violência. Além disso, o abuso de drogas e álcool também pode levar a intensificação e a ocorrência de novos casos de violência.
Para a diminuir os casos de agressão, as mulheres precisam denunciar aqueles que estão as agredindo, podendo fazer isso em Delegacias de Defesa da Mulher, que estão abertas durante a quarentena, mas se elas não conseguirem sair, essas denúncias também podem ser feitas virtualmente. Além disso, o Estado deve promover campanhas para que as mulheres saibam como denunciar e dar algum tipo de proteção para elas quando elas registrarem uma denúncia.