Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 17/08/2020
É perceptível que as mulheres vêm tentando conquistar seu espaço no corpo social e garantir seus direitos, demonstrando-se iguais a todos os indivíduos que o compõem, como prevê o artigo 5° da Constituição Federal de 1988. Entretanto, o aumento significativo dos casos de violência doméstica - em que a maioria das vítimas são mulheres - no contexto hodierno, põe em evidência um problema real presente no país, o que induz a abertura dessa discussão para que seja possível analisar como a predisposição social de culpabilizar a vítima pelas agressões e a convivência com o agressor intensificada pela pandemia do Covid-19 são fatores relevantes nessa problemática.
Primeiramente, é importante ressaltar que os ideiais partriarcais enraizados na sociedade, além de contribuir para a disparidade de gênero, induzem a população a culpar a vítima pelas agressões que ela mesma sofre. Segundo uma pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 42% dos homens e 32% das mulheres dizem que “as mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”. Diante disso, é necessário ressaltar que essa afirmação, além de responsabilizar injustamente a mulher, é uma atitude que desencoraja a denúncia, cooperando assim para que os casos notificados fiquem bem abaixo da realidade.
Por conseguinte, é evidente que o cenário atual, que exige dos indivíduos que fiquem mais tempo dentro de casa, coopera, querendo ou não, para o crescimento do número de casos de violência doméstica. É possível observar a verascidade dessa tese através do crescimento de 40% no número de denúncias para o 180 - uma central telefônica que recebe denúncias de assédio e violência contra a mulher e as encaminha para os órgãos competentes - em meio à quarentena, segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMDH). Logo, se cresceram as queixas, é incontestável que aumentaram também os casos, já que uma pesquisa do Datafolha, a pedido do FBSP, indica que 52% das mulherem que sofrem agressões ficam caladas.
Destarte, é mister a ação do governo para a possível resolução do problema. Visando facilitar o trabalho que a mulher teria para denúnciar a violência sofrida em casa, urge que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMDH), juntamente com os canais midiáticos, criem plataformas gratuitas e de fácil acesso que possibilitem a realização da queixa sem necessidade de deslocação por parte da vítima e que possibilite a operação de forma discreta. Só assim, será possível a construção de um Brasil mais seguro para todos os indivíduos que o integram, e, ademais, os casos de violência no ambiente doméstico poderão sofrer quedas bruscas, assim libertando inúmeras mulheres de rotinas torturantes de agressão.