Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 17/08/2020
As medidas de isolamento social aplicado para combater o novo coronavírus tem auxiliado para conter a propagação da pandemia, porém, em contrapartida, aumentaram os riscos de violência contra mulheres, isso porque a maioria delas vive 24 horas com os agressores. Segundo especialistas a convivência, tensão do momento e o próprio isolamento social, longe de parentes e amigos contribui para o aumento desses casos, mas que de acordo com Marisa Gáudio diretora de mulheres da OAB-RJ, a maioria das mulheres que sofrem desse abuso não denunciam seu agressor por medo ou culpa. Além disso, não é apenas agressão física que é caracterizada como violência doméstica, mas também a moral, psicológica, patrimonial e a sexual. Dando ênfase a violência psicológica, tendo em vista que é o principal motivo para que as mulheres não consigam se liberar de um relacionamento abusivo.
De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais, de março a junho de 2020, 44,413 mulheres denunciaram ter sofrido violência doméstica. Contudo, esse número comparado com os anos anteriores mostra que houve uma redução nessa taxa, mas as autoridades explicam que isso pode representar uma notificação diante a dificuldade de denúncia e a de comunicação com a rede de acolhimento são imensas o que favorece o silenciamento das mulheres, tendo em vista que em crimes como, o de lesão corporal, se exige a presença da vítima para efetuar o B.O, e a quarentena acaba limitando o acesso aos mecanismos de denúncia, porque impede a vítima a sair do contexto familiar para se dirigir a uma delegacia.
A violência doméstica engloba muitos tipos desde a violência psicológica até a física, abusos menos palpáveis podem causar traumas sérios e costumam demorar mais para serem percebidos. Existe um efeito maior na violência psicológica porque geralmente é um problema crônico, no qual a vítima ficou muito tempo vivenciado aquele abuso, quando se trata dessa violência a pessoa fica triste, abalada e não consegue perceber e nem lidar com o problema aponta a psicologa clínica Daniela Silveira Rozados.
Portanto, cabe ao poder público assegurar a segurança das mulheres vítimas de violência doméstica. Já existem diversas formas e plataformas de denúncia como o aplicativo “MG mulher” criado em Minas Gerais que possibilitam a denúncia através da ‘internet’, o botão do pânico que através de um GPS emite alerta caso a mulher se sinta ameaçada, a campanha do sinal vermelho que permite a mulher se dirigir a uma farmácia e mostrar um X vermelho na mão que o atendente identificará o sinal. Então, faz-se necessário o bom funcionamento desses projetos para que as mulheres tenham segurança em época de pandemia ou fora dela.