Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena

Enviada em 17/08/2020

Atualmente, o Brasil enfrenta uma pandemia e, consequentemente, grande parte da população está de quarentena. Muitos casais que se viam apenas durante a noite, após seus expedientes de trabalho, agora estão passando o dia todo juntos, o que intensifica a relação e pode causar irritações do dia-a-dia. Por isso, muitas mulheres que estão sofrendo ainda mais violência doméstica, sentem-se mais impossibilitadas de buscarem socorro, já que saem de casa com menos frequência. Consequentemente, o governo está desenvolvendo novos métodos para que haja queda nos números  e os adequando de acordo com a situação atual do país.

Primeiramente, como comprovado por um levantamento realizado pelo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), as agressões contra as mulheres cresceram em seis estados brasileiros. Esses dados demonstram que mesmo com a dificuldade em denunciar, a situação está cada vez pior, pois os números só crescem. Certamente, a quarentena fez com que o contato da vítima com o agressor se intensificasse e por conta de estar isolada de outras pessoas, como amigos e familiares, a mulher tem menos possibilidade de comunicar alguém sobre a violência que está sofrendo, inclusive a polícia. Somente na cidade de São Paulo, houve um aumento de 44% nas denúncias de violência contra a mulher, registradas pelo Serviço 190. Por conseguinte, os casos de feminicídio também tiveram um aumento, como mostrado por outro estudo realizado pelo FBSP: em São Paulo, entre os meses de março e abril, o aumento  nos casos de feminicídio foi de 41,4%. Já na da média nacional, o a estatística subiu em 22,2 e, além disso, em quatro dos oito estados que encaminharam seus registros, houve um grande crescimento no número de vítimas.

Em virtude disso, o governo e algumas empresas desenvolveram novas campanhas, como o “Sinal Vermelho” (no estado do Espírito Santo), a “Máscara Roxa” (realizada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul) e o botão de ajuda no app da loja Magazine Luíza. Dessa maneira, é possível pedir ajuda de uma forma mais discreta e menos provável de que o agressor desconfie. Enquanto as duas primeiras campanhas desenvolveram códigos para que a vítima se comunique com algum atendente de farmácia, a opção do aplicativo pode ser realizada em qualquer lugar através de um smartphone.

Em síntese, é notável que os problemas apresentados não dependem apenas do governo e da polícia, mas sim das vítimas efetuarem as denúncias. Para que isso aconteça, deve-se utilizar os canais de mídia para influenciarem as mesmas a denunciarem e identificarem que estão sendo agredidas. Além disso, o Ministério da Mulher deve fazer parceria com grandes empresas e desenvolverem novas ferramentas nos aplicativos para que as mulheres consigam denunciar de forma mais discreta.