Debate sobre o aumento dos casos de violência doméstica durante a quarentena
Enviada em 17/08/2020
Retratado pela DC Comics como um relacionamento conturbado e abusivo, a ligação amorosa meticulosamente construída entre os personagens Arlequina e Coringa é conhecida mundialmente e na maioria das vezes retirada de seu contexto tóxico e problemático, deixando de ser uma representação negativa e vindo a ser romantizada por aqueles que consomem o conteúdo. Fora dos quadrinhos, o perigo da aceitação de tais atitudes é real e perceptível no aumento de casos de violência doméstica no Brasil durante a quarentena, tal qual a estagnação do número de suas denúncias. A problemática apresenta diversas causas, destacando-se o aumento da convivência familiar e redução da mobilidade das vítimas, necessitando de uma solução imediata e urgente.
Segundo o jornal do Estado de Minas Gerais, 44,5 mil mulheres denunciaram abusos durante a quarentena no estado, não sendo o único a apresentar números alarmantes, mas sendo um espelho da situação atual em todo o país. É evidente que as medidas de distanciamento social tenha sido eficazes contra a propagação do coronavírus, entretanto, acabara sendo uma consequência mortal na vida de milhares de mulheres que passaram a ter um convívio maior com seus agressores e abusadores. Diante do estresse e ansiedade ocasionado pelo contexto social, aumenta-se também o consumo de álcool e com ele, a frequência de discussões e agressões dentro do ambiente doméstico, visto que, uma pesquisa realizada em 2004 pelo Ibope pontava, em 81% dos entrevistados, o álcool como fator predominante de agressão contra as mulheres.
Ademais, o isolamento fora responsável pelo afastamento dos brasileiros das ruas, dificultando ainda mais a locomoção das vítimas à delegacias e ponto de denúncias, passando a apresentar dados acerca dessas que não condizem com a realidade. Afim de facilitar a confissão de tais crimes de maneira segura e discreta, a campanha ‘Sinal Vermelho’ fora lançada no Espírito Santo, consistindo na marca de um ‘‘x’’ avermelhado na palma da mão da mulher agredida que pode ser mostrada ao atendente ou farmacêutico e evita a necessidade da comunicação verbal. Tal campanha tivera uma grande influência positiva, passando a ser reproduzida e adaptada no Brasil inteiro, servindo como incentivo para aquelas que não possuem coragem para realizar a denúncia direta.
Embora tais campanhas tenham auxiliado na solução da problemática, essa acontece de maneira minima, sendo imprescindível a intervenção do Judiciário para a promulgação de leis eficientes com punições mais severas, além da necessidade da intervenção estatal e municipal com a disponibilização de verbas para a criação de canais digitais de denúncia e de ofertas de vagas e condições de abrigos, tal com a abertura de novos.